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A recuperação da China é mais importante no momento para a América Latina do que a situação na Europa, mais especificamente da Grécia. A opinião é do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que participou hoje de seminário promovido pela Corporação Andina de Fomento (CAF) em Cancún, no México.

"Em algum grau, todos na região estão surpresos com o vigoroso processo de recuperação da China. Com a crise, acreditava-se que ela cresceria um pouco menos, mas o crescimento chinês é muito rápido e, do nosso ponto de vista, muito mais importante do que o que vem acontecendo na Europa neste momento", declarou. "Talvez metade dos países da região tenha na China, atualmente, o maior parceiro econômico", prosseguiu Bernardo. Para o ministro, "hoje parece pouco provável que problemas como esse na Grécia sejam capazes de provocar algum dano específico na América Latina e no Caribe".

No caso da economia brasileira, segundo Bernardo, o fato de o Brasil possuir três grandes bancos públicos facilitou a retomada do processo de crédito, mas, de acordo com ele, o mercado interno foi fundamental para a recuperação depois da eclosão da mais recente crise financeira internacional. "No Brasil estamos otimistas, porque as medidas que o governo adotou quando veio a crise, no fim de 2008, foram até muito parecidas com as tomadas por outros países, mas no Brasil funcionou muito bem", disse. "Temos três grandes bancos públicos no País. Isso facilitou a retomada do processo de crédito na nossa economia. Mas acho que, sobretudo, o que nos sustentou foi o mercado interno."

Bernardo defendeu a forma como o Estado brasileiro comportou-se diante da crise e rejeitou interpretações segundo as quais o governo teria interferido demais na economia. "Não existe no Brasil nenhuma espécie de ânsia por fazer tudo através do Estado. O que não podemos é ficar esperando que as pessoas decidam quando vai haver investimento no País". "A questão da intervenção do Estado é uma coisa que se fala muito hoje em dia no Brasil e eu gostaria de dizer que não mudamos nossa postura em nada. É preciso ponderar que, depois do que aconteceu em setembro de 2008, de repente olhamos para um lado e quando voltamos pro outro o mercado não estava mais lá", explicou o ministro.

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