O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje que a aprovação pela Câmara do reajuste de 7,71% para as aposentadorias com valor acima de um salário mínimo "foi uma situação de pura irresponsabilidade". Segundo ele, é normal que em período pré-eleitoral "as pessoas fiquem sensíveis a esse tipo de apelo".

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje que a aprovação pela Câmara do reajuste de 7,71% para as aposentadorias com valor acima de um salário mínimo "foi uma situação de pura irresponsabilidade". Segundo ele, é normal que em período pré-eleitoral "as pessoas fiquem sensíveis a esse tipo de apelo". "Mas o que está implícito nessa atitude irresponsável é que depois o novo governo vai ter que tomar uma medida dura para compensar isso. Ou seja, passou a eleição, vamos enfiar uma faca nos aposentados."

O ministro lembrou que ontem todos os partidos se revezaram na tribuna da Câmara para comemorar os dez anos da lei de responsabilidade fiscal. "E a noite foi uma farra", disse. De acordo com o ministro, se o reajuste aprovado pela Câmara tivesse ficado na faixa dos 6,14%, como propôs o governo, o impacto nas contas da Previdência seria de R$ 19 bilhões. Com o reajuste de 7,71% aprovado ontem, o impacto será de R$ 30 bilhões nos próximos cinco anos.

Bernardo lembrou que quem paga a Previdência quer ter o benefício. "O momento mostra que pelo menos no Congresso ninguém está preocupado com a sustentabilidade da Previdência. É uma espécie de consenso perverso: faz agora e depois alguém vai ter que fazer a maldade. E não é o Lula (o presidente Luiz Inácio Lula da Silva) e nem o Mantega (o ministro da Fazenda, Guido Mantega) que vão pagar esse negócio", disse. O custo, para ele, cairá sobre os contribuintes.

Mais cedo, o ministro afirmou que vai recomendar ao presidente Lula o veto ao reajuste de 7,71% para aposentadorias acima de um salário mínimo e ao fim do fator previdenciário, aprovados ontem à noite no plenário da Câmara dos Deputados.

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