O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, admitiu hoje que o crescimento econômico do País em 2009 pode ser inferior ao deste ano - que deve ficar em torno de 5% ou até um pouco mais do que isso. Ele fez a observação ao comentar as conseqüências da elevação da taxa básica de juros, anunciada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Bernardo, entretanto, se recusou a fazer projeções numéricas para o crescimento econômico do ano que vem. "Eu não vou fazer isso, esse tipo de conta", disse, comentando ser ainda cedo para esse tipo de previsão.

Quando repórteres observaram que o mercado financeiro já realiza estimativas sobre o tema, que oscilam em torno de 4% para o crescimento para 2009, o ministro rebateu que o mercado costuma errar, e que não iria tecer especulações sobre assunto. "O que estou dizendo é que, racionalmente falando, se estamos fazendo uma política contracionista (de contração da economia, com a alta no juro), teremos um crescimento menor (em 2009)", disse.

Durante evento promovido pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing (ADVB) hoje no Rio de Janeiro, o ministro realizou palestra para empresários e executivos do setor de marketing. Em sua fala, voltou a classificar a inflação como o pior inimigo do governo atualmente, e justificou a posição do Banco Central (BC) de elevar os juros, comparando a atuação do banco ao do zagueiro Fontana - da seleção brasileira da década de 70 e que atuou pelo Vasco, time fluminense - que "sai da área para matar a jogada".

Ainda de acordo com Bernardo, a inflação este ano deve girar em torno de 6%, abaixo do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, de 6,5%. Para o ano que vem, o ministro acredita que a inflação ficará no centro da meta, de 4,5%.

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