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RIO - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, confirmou que o governo acompanha de perto o comportamento das contas externas do país, que registraram déficit de US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre, o valor nominal mais alto desde 1947. Mas Bernardo deixou claro que ainda há dúvidas sobre a tendência do indicador para o futuro.

Para o ministro, as contas externas nos primeiros seis meses do ano foram afetadas pela crise financeira mundial. Ele ponderou que grande parte do desequilíbrio observado no semestre ocorreu devido ao aumento das remessas de lucros e dividendos ao exterior (no valor de US$ 18,9 bilhões), o que, segundo ele, demonstra que filiais brasileiras mandaram dinheiro ao exterior como forma de socorrer matrizes em dificuldades.

Não estou convencido de que é uma tendência irreversível (o crescimento do déficit externo). Mas de fato as contas externas são motivo de atenção por parte do governo o tempo todo, disse Bernardo, que participou de palestra na sede carioca do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-RJ).

Bernardo também ressaltou que um ponto positivo das contas externas tem sido o aumento volume do Investimento Estrangeiro Direto (IED) no país, que deve atingir cerca de US$ 34 bilhões no fechado de 2008.

Para o ministro, a entrada desse dinheiro pode continuar tendo influência na valorização do real frente ao dólar, mas como se trata de investimento produtivo, ele não pode ser rejeitado pelo governo. Você não pode querer fazer uma omelete sem quebrar alguns ovos, disse Bernardo, em referência ao efeito nocivo para alguns setores decorrente da queda da cotação do dólar.

(Rafael Rosas | Valor Online)