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Bernanke: repetição da Grande Depressão é improvável

O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, disse que uma repetição da experiência da Grande Depressão (início em 1929) é improvável em virtude de diferenças fundamentais em como os formuladores da política responderam aos problema naquela ocasião e agora. Contra todos os recentes problemas econômicos e do mercado, a política monetária tem sido proativa e agressiva e nos movemos rapidamente e mais cedo para tentar estabilizar o sistema financeiro, disse Bernanke.

Agência Estado |

Ao mesmo tempo, "não esperamos por três anos e meio, pelo colapso do mercado financeiro, para adotar fortes medidas", disse. O que foi feito até agora pelo Fed e o governo dos EUA representam "medidas poderosas" e as autoridades têm evitado os "erros críticos" feitos pelos líderes nos anos 1930, disse Bernanke.

O presidente do Fed fez os comentários durante a sessão de perguntas e respostas que se seguiu ao seu discurso no Clube Econômico de Nova York. Em seu discurso, Bernanke falou na seqüência de um fluxo de ações agressivas tomadas pelo governo para reativar o sistema financeiro do país, em um esforço feito em conjunto com os governos de outras nações desenvolvidas.

Uma parte fundamental daquelas amplas respostas incluiu um corte de emergência de 0,50 ponto porcentual na meta para a taxa dos Fed Funds (juro básico dos EUA) na semana passada. No discurso preparado para o evento em Nova York, Bernanke descreveu um cenário onde o Fed pode voltar a cortar o juro novamente e observou que aqueles que acreditam que cortes agressivos no juro ao longo dos últimos meses terminariam mal viram que estavam errados.

"Havia muita preocupação e ceticismo de que nossas ações poderiam nos levar para uma estagflação ou inflação", disse Bernanke, referindo-se aos cortes no juro que começaram no final de 2007 e continuaram neste ano. Ele acrescentou que "havia também ceticismo de que a situação seria tão séria". "As evidências agora são que os problemas de inflação estão se moderando e parece que estamos retornando para a estabilidade de preço a um ritmo razoável", disse Bernanke, em um movimento que afasta um dos principais fatores que tinham limitado o espaço para o Fed afrouxar a política monetária.

Contudo, Bernanke também alertou que a "política monetária tem seus limites" e que em face dos problemas que agora estão diante da economia global", foi preciso uma resposta com força total do governo. O presidente do Fed disse que outra lição da crise do mercado é que "temos e desenvolvemos neste país um problema muito sério grande demais para falir" dentro do sistema financeiro. Bernanke disse que, embora o sistema bancário seja diverso, existem muitas firmas que estão em uma situação vista como sistemicamente crítica e isso cria problemas, e cria distorções na medida que a disciplina do mercado será quebrada se todos acreditarem que não será permitida a falência da firma 'X'.

Bolha financeira

O presidente do banco central americano disse que a ruptura da bolha financeira se tornou muito custosa e que, embora o banco central seja tradicionalmente relutante em furar bolhas antes que elas se rompam, isto agora é uma questão que pode exigir uma reavaliação. Ele indicou que o melhor remédio para bolhas pode estar em uma forma de fortalecer a regulamentação e a supervisão, ao invés da política monetária.

Bernanke também disse que é preciso uma abordagem abrangente para lidar com as companhias não financeiras. A falta de tal regime formalizado entrou em jogo durante o colapso do banco Lehman Brothers, que Bernanke disse que o Fed simplesmente não tinha instrumentos para salvar o banco de investimentos se quisesse fazê-lo.

Ele observou que o plano de socorro do governo de US$ 700 bilhões, recentemente aprovado pelo Congresso, para comprar ativos podres do mercado é, em grande medida, um esforço para estimular as condições naqueles mercados congelados. Contudo, Bernanke também observou que levará tempo para os mercados e a economia se recuperarem do impacto dos recentes eventos. "Os mercados de crédito vão levar algum tempo para descongelarem", disse o presidente do Fed, e, "mesmo se eles estabilizarem... A recuperação econômica mais ampla não vai acontecer agora mesmo."

Imóveis

O presidente do Fed disse que o setor de moradia permanece sendo a principal fonte de fraqueza na economia. "Temos visto desacelerações marcadas nos gastos do consumidor, investimentos das empresas e do mercado de mão-de-obra."

A fraqueza econômica, combinada com expectativas para a inflação futura firmes ou mais baixas do consumidor e do investidor, declínios nos preços do petróleo e "desaceleração" dos preços dos bens importados, "devem levar a taxas de inflação mais consistentes com a estabilidade de preço", disse Bernanke. Um ponto brilhante para a economia dos EUA, disse Bernanke, é que os preços de energia mais baixos devem aumentar a renda disponível.

Com relação as recentes decisões dramáticas do Fed, que por um lado permitiu a concordata do Lehman Brothers enquanto, por outro, socorreu a gigante do setor de seguros American International Group Inc (AIG) poucos dias depois com um empréstimo de US$ 85 bilhões, Bernanke disse que as circunstâncias envolvendo a AIG eram diferentes. "No caso da AIG, o Fed e o Tesouro julgaram que uma falência desordenada teria ameaçado severamente a estabilidade financeira global e o desempenho da economia dos EUA", disse. Ao mesmo tempo, o Fed determinou que seu empréstimo para a AIG seria "adequadamente garantido pelos ativos" da companhia. As informações são da Dow Jones.

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