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O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, advertiu nesta terça-feira para um aumento mal vindo da inflação, anunciando uma nítida revisão em alta das previsões de crescimento nos Estados Unidos para 2008.

No momento em que os mercados atravessam fortes turbulências, o presidente do banco central prometeu que "ajudar os mercados financeiros a recuperar um funcionamento mais normal continuará sendo uma prioridade para o Fed".

"Em geral, um crescimento econômico são depende de mercados financeiros funcionando bem", destacou Bernanke num discurso no Congresso, dias após o Fed e o Tesouro terem socorrido os gigantes do refinanciamento hipotecário Fannie Mac e Freddie Mae.

Mas o essencial de seu discurso foi consagrado à situação econômica e à dificuldade de eliminar os riscos que pesam sobre o crescimento e a inflação.

Por um lado, o Comitê de política monetária (Fomc) do Federal Reserve revisou em forte alta suas previsões de crescimento para este ano, que devem ficar entre 1,0% e 1,6% em vez de 0,3% a 1,2% previstos em abril.

Isto mantém um crescimento bastante abaixo do ritmo de cruzeiro da economia americana, destacou Bernanke. Mas a primeira economia mundial escaparia assim à recessão.

Ao mesmo tempo, o Fomc revisou em forte alta suas previsões de inflação para 2008: de 3,8% a 4,2% (contra 3,1% a 3,4% previstos anteriormente).

"Uma responsabilidade crucial dos governadores do banco central é a de impedir que não se instale um processo onde o público comece a esperar uma inflação muito mais forte por um longo período", ressaltou Bernanke.

Isto pode influenciar a fixação dos salários e dos preços, levando a um "aumento mal vindo da inflação a longo prazo", acrescentou.

Os mercados esperavam com ansiedade este discurso para tentar adivinhar as intenções do banco central sobre a taxa básica de juros, atualmente fixada em 2%. As preocupações manifestadas por Bernanke sobre a inflação, apesar de seu otimismo cauteloso sobre o crescimento, não devem sustentar novas medidas de flexibilização monetária.

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