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Washington, 7 abr (EFE).- O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, se manifestou hoje contra uma redução "drástica" do déficit dos Estados Unidos em curto prazo, já que a crise imobiliária ainda não foi superada e o alto índice de desemprego persiste.

Washington, 7 abr (EFE).- O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, se manifestou hoje contra uma redução "drástica" do déficit dos Estados Unidos em curto prazo, já que a crise imobiliária ainda não foi superada e o alto índice de desemprego persiste. A economia americana ainda "está longe" de deixar para trás suas dificuldades, disse Bernanke, em discurso na Câmara Regional de Comércio de Dallas, no estado americano do Texas, transmitido pelo Fed em Washington. Seus maiores freios são o setor imobiliário - origem da crise e que ainda não se recuperou - e o desemprego - dado que o nível de contratações é ainda muito baixo. No entanto, a mensagem de Bernanke não foi totalmente negativa, já que o presidente do Fed também disse que se as condições econômicas melhorarem, como ele espera, deve haver "um aumento do otimismo entre os consumidores e uma maior disposição por parte dos bancos para emprestar, o que, por sua vez, ajudará a recuperação". Por enquanto, no entanto, a economia cresce "bastante abaixo de seu potencial" e, por isso, uma redução "drástica" do déficit fiscal em curto prazo "não é algo nem prático nem aconselhável", disse Bernanke. A Administração prevê que o déficit chegue aos US$ 1,6 trilhão neste ano fiscal, um número recorde em termos absolutos, que equivale a 10,6% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA. Os líderes republicanos do Congresso criticam o Governo por essa grande brecha orçamentária e consideram o plano de estímulo um desperdício de dinheiro. Por outro lado, para Bernanke, este não é o momento de restringir o déficit, devido à fraqueza da economia. No entanto, o Governo deve projetar um plano "crível" para melhorar as contas públicas no longo prazo, o que "poderia gerar menores taxas de juros e crescimento mais rápido em curto prazo", segundo ele. Em seu discurso, o presidente do Fed não se pronunciou sobre a política monetária do banco central americano, que mantém os juros de referência no curto prazo em torno de 0% desde dezembro de 2008. Segundo ele, a inflação "parece estar bem controlada" e o aumento da produtividade permitiu que as empresas controlassem seus custos. Os EUA cresceram a uma taxa anualizada de 5,6% no último trimestre de 2009, mas por trás dessa alta ainda persistem pontos fracos. Bernanke citou em particular o mercado imobiliário, onde ainda não há sinais de uma recuperação "sustentada". Já a inadimplência e os despejos de inquilinos seguem em alta. Ao mesmo tempo, o desemprego atinge 9,7% da população, uma taxa próxima ao máximo dos últimos 30 anos. Bernanke previu que esse número cairá "lentamente" durante o próximo ano, à medida que o crescimento com a política de baixas taxas de juros do Fed for garantido. EFE cma/pd
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