Um erro de avaliação política foi a causa da derrota do consórcio favorito no leilão da hidrelétrica de Belo Monte (PA). Liderado pela construtora Andrade Gutierrez e com a participação de empresas como a Vale, o consórcio Belo Monte Energia definiu preços e tarifas na suposição de que a concorrência não era para valer.

Um erro de avaliação política foi a causa da derrota do consórcio favorito no leilão da hidrelétrica de Belo Monte (PA). Liderado pela construtora Andrade Gutierrez e com a participação de empresas como a Vale, o consórcio Belo Monte Energia definiu preços e tarifas na suposição de que a concorrência não era para valer. O consórcio avaliou que o governo blefara quando estimulou a formação de um novo consórcio para garantir a disputa. A decisão do governo de interferir na briga das construtoras interessadas em tocar a usina, avaliada em R$ 19,6 bilhões, foi tomada quando a Camargo Corrêa e a Norberto Odebrecht desistiram do leilão. O governo soube, nos bastidores, que as duas empreiteiras queriam forçar uma mudança no preço máximo da energia e nos custos da obra, inicialmente orçada em R$ 32 bilhões pela iniciativa privada. O que mais irritou o governo foi a informação, obtida por técnicos do setor em caráter reservado, de que, mesmo fora da disputa, as duas construtoras negociavam participação na obra com a Andrade Gutierrez. Afinal, foi o então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, quem determinara que as três se separassem para garantir a concorrência. O governo considerou que as pressões para aumentar o preço da usina estavam fora dos limites aceitáveis. Em uma das reuniões das construtoras com a Eletrobrás e o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, os empreiteiros chegaram a propor um acréscimo de R$ 500 milhões só para bancar as passagens aéreas dos operários em visitas semestrais às famílias. "Se for assim, é melhor vocês comprarem logo dez aerolulas", reagiu Lobão. Invenção. Neste cenário, a formação de um novo consórcio estimulado pelo governo não intimidou. A avaliação geral entre os empreiteiros era que o governo "inventara" um novo grupo, puxando fundos de pensão como Petros (da Petrobrás) e Funcef (da Caixa), só para criar concorrência de fachada e dar satisfação à opinião pública. Tanto o Palácio do Planalto como o Ministério de Minas e Energia estão convencidos de que foi esse o grande erro que derrotou o favorito na disputa. A cartada final do governo, que confundiu ainda mais os empreiteiros, foi o comunicado, às vésperas do leilão, reforçando que a Taxa Interna de Retorno (TIR), como acertado desde o fim do ano passado, teria de ficar entre 8% e 9%. Para que o investimento seja rentável, é preciso que a taxa de retorno supere os juros médios cobrados pelos bancos em empréstimos.

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