Em um esforço multibilionário, os principais bancos centrais do mundo coordenaram ontem suas ações para tentar garantir a liquidez nos mercados. Mas o temor de uma recessão global ainda dominou as praças financeiras e as bolsas voltaram a cair, pelo quarto dia seguido.

"Esse é o annus horribilis das finanças", disse ontem Pierre Mirabaud, presidente da Associação Suíça de Bancos.

O Federal Reserve, o Banco Central Europeu e os bancos do Japão, Suíça, Inglaterra e Canadá injetaram cerca de US$ 360 bilhões, numa iniciativa dramática para evitar que a pior crise nos últimos 70 anos se aprofundasse. Apenas o Fed destinou US$ 180 bilhões. O Banco do Canadá colocou outros US$ 10 bilhões. Os BCs da Grã-Bretanha e da Europa liberaram US$ 40 bilhões e US$ 55 bilhões, respectivamente.

O banco japonês ainda decidiu abastecer o mercado com fundos em dólar de até US$ 60 bilhões. A instituição já havia injetado US$ 14,4 bilhões nos mercados financeiros pelo terceiro dia seguido. O BC japonês também anunciou a compra de US$ 15,286 bilhões em bônus públicos de empresas e bancos.

O Fed não se limitou ao esforço conjunto. No total, disponibilizou US$ 247 bilhões e ainda injetou US$ 105 bilhões no mercado americano, um valor recorde. O presidente George W. Bush tentou acalmar os mercados, alertando que as autoridades monetárias mundiais estavam prontas para novas iniciativas como a de ontem, se necessário.

Mas o esforço foi global. Na Europa, outros BCs também colocaram recursos nos próprios mercados. Japão, Austrália e Índia, juntos, colocaram outros US$ 28 bilhões. Pelo segundo dia, a China relaxou suas políticas monetárias. Coréia e Filipinas também agiram para garantir suas moedas. Na Rússia, o governo anunciou que destinaria quase US$ 20 bilhões para estabilizar a bolsa, que chegou a cair 15% em apenas um dia.

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