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BCs da Europa cortam juro para aplacar recessão

A recessão na Europa será mais dolorosa do que se imaginava e, numa ofensiva radical para tentar reverter o rumo da economia, bancos centrais anunciaram ontem cortes recordes nas taxas de juros. O Banco Central Europeu (BCE) admitiu oficialmente que o continente entrará em 2009 numa recessão mais profunda do que se previa e, portanto, decidiu que a redução da taxa de juro seria a maior já realizada pela instituição.

Agência Estado |

Já o Banco da Inglaterra reduziu o juro aos menores níveis já praticados no país. Nem isso foi suficiente para evitar mais um dia de perdas nas bolsas e o mercado continuou exigindo novas ações.

Para a revista The Economist, o dia de ontem "entrará para a história econômica do continente" como o momento em que os BCs tomaram medidas drásticas para evitar o pior, mas também reconheceram que a crise é dramática. O BCE reduziu sua taxa de juro de 3,25% para 2,5% nos 15 países da zona do euro. Foi o terceiro corte em três meses e o maior de uma só vez em dez anos de história.

Ontem, o Banco da Inglaterra também reduziu a taxa, de 3% para 2%. Com isso, o país volta a praticar juros iguais aos da década de 1930 e de 1951. Na Suécia, o corte de 3,75% para 2% também foi recorde para o BC mais antigo do mundo - fundado em 1668 -, bem além das previsões do mercado.

O objetivo dessas medidas é tentar dar espaço para que as economias da região não sofram uma queda ainda maior. Segundo as novas previsões do BCE anunciadas ontem, o bloco verá um encolhimento da economia em 2009 entre 0,5% e 1%, além de uma recessão profunda em alguns países, como Espanha e Reino Unido. A previsão anterior apontava pelo menos para uma estagnação.

Para 2008, o crescimento não vai passar de 1%, e não atingirá 1,4%, como se pensava. "Para 2009, teremos crescimento negativo", disse Jean Claude Trichet, presidente do BCE.

Ontem, a Comissão Européia anunciou que a retração na economia da região havia sido de 0,2% no terceiro trimestre. Em alguns países, como Estônia e Noruega, a queda foi de 1% e 0,7%, respectivamente. O desemprego, o fechamento de empresas e as falências aumentam a cada dia.

"A situação é obviamente tensa. Vemos tensões que são substanciais e vemos isso nos dois lados do Atlântico", alertou o presidente do BCE, apontando para a crise que Estados Unidos e Europa compartilham. Para ele, todo o sistema econômico internacional passará por um momento de "debilidade" e com "queda persistente na demanda" em 2009.

Além da Europa, outras regiões seguiram ontem a mesma tendência. A Indonésia reduziu em 0,25 ponto porcentual os juros no país, na primeira iniciativa desse tipo em mais de um ano. A Nova Zelândia também cortou de forma sem precedentes sua taxa, de 6,5% para 5%. No Japão, a taxa já é de 0,3%, ante 1% nos Estados Unidos.

Diante de previsões tão sombrias, as bolsas européias voltaram a cair, mesmo com o corte de juros. O FTSEurofirst 300, principal índice de ações, recuou 0,38%. Analistas destacaram a coragem dos BCs, mas o mercado reagiu com indiferença e alertou que novas medidas terão de ser adotadas. Em Londres, a queda foi de 0,15%, ante 0,07% na Alemanha, 0,17% em Paris e 0,8% em Milão.

Mesmo assim, os xerifes das finanças européias saíram em defesa de suas medidas, consideradas revolucionárias. Para o BCE, a situação está se deteriorando a um ritmo bem superior ao que todos pensavam.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, garantia, ainda em setembro, que não haveria recessão no continente. Mas uma das conclusões tiradas ontem é de que as medidas tomadas até agora não deram resultados. Os BCs admitiram que suas economias vão encolher em 2009. Mas a esperança é de que, com um custo de empréstimo baixo, o tombo será menor.

No caso da Inglaterra, o país passou de uma taxa de 4,5% em outubro para 3% em novembro e para apenas 2% ontem. Essa é a mesma taxa em vigor após a 2ª Guerra Mundial, e usada para estimular a reconstrução do país. Na prática, trata-se do menor nível de juros já verificado no país. Uma nova redução baixaria a taxa ao menor nível desde a criação da instituição, no fim do século 17.

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