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BCs cortam juros, em ação inédita

Agindo de forma coordenada pela primeira vez na história, o Federal Reserve (Fed), o Banco Central Europeu (BCE) e outros oito bancos centrais reduziram as taxas de juros ontem, na tentativa de conter a turbulência financeira que tomou conta de mercados ao redor do mundo. O Fed, o BCE e os bancos centrais da Grã-Bretanha, Canadá, Suécia, Suíça e Emirados Árabes anunciaram cortes de meio ponto porcentual nas taxas básicas de juros.

Agência Estado |

Posteriormente, os bancos centrais da China, Hong Kong e Austrália se juntaram ao esforço, anunciando reduções em suas taxas. A última vez que algo semelhante aconteceu foi após os ataques de 11 de setembro, quando o Fed e o BCE reduziram taxas de juros.

Mas os mercados não se impressionaram com a demonstração de força dos bancos centrais e tiveram um dia volátil. A Bolsa de Londres fechou em baixa de 5,18%, a de Frankfurt caiu 5,88% e o índice Dow Jones recuou 2%, na medida em que os investidores duvidavam que os cortes de juros ajudarão a evitar uma recessão mundial.

O Fed anunciou o corte antes de sua reunião oficial, marcada para 28 e 29 deste mês. A taxa americana caiu para 1,5%, mas analistas não afastam a possibilidade de o Fed voltar a reduzir os juros no fim do mês, caso os bancos continuem relutando em emprestar dinheiro, mantendo o mercado de crédito paralisado. O BCE reduziu os juros de 4,25% para 3,75% e também pode voltar a cortar a taxa em sua reunião de 6 de novembro. O corte de juros do Banco da Inglaterra, que reduziu a taxa para 4,5%, veio um dia antes da reunião oficial do banco.

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, exortou os governos do mundo a continuarem atuando juntos para aumentar a liquidez e fortalecer as instituições financeiras. "Os governos precisam continuar trabalhando de forma individual e conjunta para fornecer a liquidez tão necessária, fortalecer as instituições financeiras com injeções de capital e compra de ativos problemáticos, evitar abusos no mercado e proteger a poupança de nossos cidadãos", disse Paulson.

Ele se mostrou otimista em relação à eficácia dos cortes de juros anunciados ontem. "O corte coordenado é um sinal bem-vindo de que os bancos centrais ao redor do mundo estão preparados para adotar as medidas necessárias para apoiar a economia mundial nesta época difícil." Paulson pediu um encontro dos ministros do G-20 neste fim de semana para discutir uma reação coordenada à crise.

O BCE vinha resistindo a ações coordenadas, porque achava que a crise de crédito estava essencialmente localizada nos EUA, por causa das hipotecas subprimes. Mas a crise bancária que tomou conta da Europa nos últimos dias mudou o rumo do BCE. "Indicadores econômicos apontam que a atividade econômica desacelerou de forma significativa nos últimos meses", dizia o comunicado do Fed de ontem de manhã. "Além disso, a intensificação da turbulência financeira deve pressionar mais o consumo, ao reduzir a habilidade de consumidores e empresas de obterem empréstimos."

Desde que a crise de crédito começou, em agosto de 2007, os bancos centrais haviam feito políticas conjuntas de injeção de liquidez, mas não haviam cortado juros de forma coordenada. Os ministros das Finanças de Washington se encontram neste fim de semana em Washington e podem discutir opções para lidar com a piora da crise.

O objetivo da redução dos juros é evitar os efeitos da crise de crédito, estimulando o consumo e incentivando bancos a voltarem a emprestar a consumidores e empresas. Mas a reação inicial do mercado demonstrou que nem essa inédita redução coordenada dos juros será a panacéia para a crise. A taxa Libor de empréstimos interbancários continuou subindo e a remuneração dos títulos do Tesouro de curto prazo, caindo.

Segundo Paulson, o Tesouro está trabalhando de forma acelerada para implementar o pacote aprovado na semana passada. Mas pediu paciência, e disse que "a turbulência não vai acabar rapidamente". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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