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Banco Central Europeu manteve a taxa básica de juros da zona do euro no recorde de baixa de 1% e previu uma recuperação moderada

O Banco Central Europeu (BCE) revisou hoje as projeções para o crescimento da economia na zona do euro. Para 2010, houve uma revisão para cima nas previsões de crescimento, mas para 2011 a instituição reviu para baixo o desempenho. O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, disse em entrevista coletiva, em Frankfurt, que a entidade prevê agora que a economia da zona do euro cresça em 2010 entre 0,7% e 1,3%. Em março, o BCE tinha previsto um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano entre 0,4% e 1,2%.

A pequena revisão para cima foi feita “devido ao impacto positivo de uma atividade global mais forte em curto prazo”. A entidade monetária prevê agora a reativação do PIB em 2011 entre 0,2% e 2,2% e, por isso, revisou para baixo suas previsões de março (de crescimento entre 0,5% e 2,5%). A revisão para baixo "reflete principalmente as previsões de demanda interna", disse Trichet.

O BCE também informou hoje que manteve o juro básico da zona do euro no recorde de baixa de 1%, e previu uma recuperação econômica moderada e irregular. Após um mês turbulento no qual abandonou sua resistência em comprar bônus de governos, a decisão do BCE de manter o juro já era esperada pelo mercado. Trichet disse que as taxas de juros se encontram em um nível "adequado" e que, por isso, o BCE as deixará neste nível historicamente baixo durante algum tempo.

O BCE prevê uma inflação entre 1,4% e 1,6% em 2010 e, por isso, também fez uma revisão para cima em comparação com os cálculos de março (entre 0,8% e 1,6%). A entidade prevê agora para 2011 uma inflação entre 1% e 2,2%, em comparação com a taxa entre 0,9% e 2,1% prevista em março. A previsão para cima da inflação reflete preços em euro mais altos das matérias-primas.

"As taxas de crescimento trimestrais deverão ser desiguais", disse o presidente do BCE. "Esperamos que a economia da zona do euro cresça em ritmo moderado em um ambiente de contínuas tensões em alguns segmentos do mercado e de incertezas atipicamente altas.” Uma queda de 5% do euro tende a impulsionar o crescimento da zona do euro em cerca de 0,4 ponto percentual, de acordo com economistas.

Trichet foi pressionado sobre a mudança de decisão para comprar bônus de governos, mas não deu muitas informações. O banco já comprou 40,5 bilhões de euros em dívida, mas não detalhou a quantia que pretende gastar ou por quanto tempo continuará realizando a operação.

"O mercado está claramente questionando a determinação do Eurosystem agora, conforme os spreads dos países voltam aos picos em alguns casos, particularmente na Espanha", disse Laurent Bilke, economista do Nomura.

Medidas

Os problemas de dívida de Grécia, Portugal, Espanha e outros membros da zona do euro alimentaram temores sobre a saúde dos bancos comerciais da região. As preocupações atingiram as operações no mercado aberto, forçando o BCE a reverter sua estratégia de retirada das medidas de estímulo e reintroduzir empréstimos em dólar, injetar mais dinheiro em operações de seis meses e estender os financiamentos de três meses sem limites.

Trichet anunciou que o BCE irá realizar operações de liquidez de três meses a taxas fixas, nas quais todas as ofertas serão atendidas, até setembro de 2010.

A controversa decisão de comprar bônus gerou um racha no BCE. O representante do Bundesbank, Axel Weber, criticou abertamente o movimento, argumentando que cria "riscos sérios à estabilidade".
Questionado sobre a desunião no banco, Trichet disse que "há uma moeda, há um BCE, há um conselho".

(Com agências)

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