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O Banco Central Europeu (BCE) reduziu nesta quinta-feira sua principal taxa de juros de 2% para o mínimo histórico de 1,5%, seu quinto corte desde outubro para fazer frente à recessão, anunciou o porta-voz da instituição.

Até um mês atrás, a ideia de reduzir a taxa de refinanciamento - que determina o nível do crédito na zona euro- a menos de 2% parecia inconcebível para os guardiões da moeda única européia.

Mas a recessão nos 16 países do euro está se agravando e vem obrigando o BCE a explorar novos territórios: os economistas consultados pela agência Dow Jones Newswires e os mercados esperavam uma redução de 50 pontos de base, a 1,5% na reunião do conselho de diretores.

Desde outubro, a taxa caiu de 4,25% para 2%. Em dezembro, a instituição realizou inclusive uma queda de 75 pontos de base de uma só vez, algo inédito em seus 10 anos de história.

"O radar do BCE acusou diversos sinais antes da reunião desta semana e todos dão conta do agravamento da recessão", indicou o Royal Bank of Scotland.

Depois de uma queda de 1,5% de seu PIB no quarto trimestre de 2008, a zona euro pode registrar um desempenho igualmente ruim no primeiro trimestre.

A indústria vem sofrendo também com a desaceleração da demanda mundial. A atividade do setor industrial da zona euro caiu em fevereiro pelo nono mês consecutivo. Os medidores de confiança dos empresários e das famílias continuam caindo. O crédito está cada vez mais escasso.

O desemprego continuou subindo em janeiro, a uma taxa de 8,2%, seu máximo desde setembro de 2006. A rápida deterioração do mercado de trabalho é preocupante. Afeta o consumo das famílias e pode colocar em risco os efeitos benéficos dos planos de reativação governamentais e uma inflação que continua fraca apesar de uma ligeira alta, a 1,2% em fevereiro, segundo um dado provisório.

ilp/cn

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