O Banco Central Europeu (BCE) anunciou nesta quinta-feira o maior corte da taxa de juros de sua história, de 0,75%, para 2,5%, prevendo ainda que a zona euro sofrerá uma recessão em 2009, com uma contração de 0,5% em média do Produto Interno Bruto.

Para 2008, o BCE revisou sua previsão em baixa e aposta agora em um aumento de apenas 1% do PIB, contra 1,4% anunciado há três meses.

A decisão sobre o juros foi adotada por consenso, segundo , segundo o presidente da instituição, o francês Jean-Claude Trichet, o que sugere debates acirrados dentro do conselho. Vários guardiões do euro haviam feito declarações indicando que eram mais favoráveis a uma redução de meio ponto percentual.

"Isto dá uma baixa de 1,75% em dois meses. Isso nunca tínhamos feito antes", declarou o francês, em entrevista à imprensa em Bruxelas.

O Banco Central Europeu havia reduzido sua principal taxa, que determina as condições de crédito na zona euro, em 8 de outubro, durante uma ação coordenada com seus pares mundiais.

A crise financeira traz incertezas "excepcionalmente elevadas para a economia", destacou. Paralelamente, a inflação está entrando no eixo, e rapidamente, em razão da queda dos preços das matérias-primas.

Para Jean Claude Trichet, este fenômeno não significa que a zona euro entrou num período que possa ser assimilado a uma deflação, uma queda generalizada e prolongada dos preços.

Para 2009, o BCE prevê em média uma alta de 1,4% dos preços ao consumo, contra 3,3% este ano.

O francês se recusou a dizer mais sobre as decisões de política monetária futuras. "Nunca tempos decisões antecipadas. Fazemos o que é necessário para garantir a estabilidade dos preços a médio prazo", disse, lembrando que a meta do BCE é de um taxa inferior e próxima de 2%.

"Para janeiro, não direi nada", insistiu, às perguntas dos jornalistas sobre a possibilidade de um novo corte de o,5% em janeiro.

O presidente do BCE reafirmou além disso o compromisso da instituição com o respeito ao Pacto de Estabilidade e de crescimento, que obriga os Estados membros da zona euro a terem disciplina orçamentária.

"Se há uma margem de manobra, ela pode ser utilizada", acrescentou o responsável, em referência principalmente às baixas de impostos.

Fora da zona euro, o Banco da Inglaterra também reduziu nesta quinta-feira a taxa de juros em um ponto percentual, a 2%, o menor nível desde 1939, diante de indicadores econômicos que evidenciam que a Grã-Bretanha enfrenta uma profunda recessão.

"O gasto dos consumidores e os investimentos empresariais estão estagnados, enquanto os investimentos residenciais continuam caindo", destacou a instituição em um comunicado ao término de sua reunião mensal em Londres.

Bancos centrais de todo o mundo cortaram as taxas de juros quando a crise financeira começou a afetar o crescimento econômico.

Esta semana, reduziram as taxas Austrália, Nova Zelândia, Suécia e Tailândia.

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