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Frankfurt - Em seu boletim de janeiro, o Banco Central Europeu (BCE) é mais pessimista sobre a economia da zona do euro do que em dezembro, e diz que ela sofre um enfraquecimento significativo que persistirá por vários trimestres.

O BCE informa em seu boletim de janeiro, publicado nesta quinta-feira, que "a demanda global e da zona do euro vão cair durante um período de tempo prolongado", já que o impacto das tensões financeiras na atividade econômica continua.

O banco europeu reduziu na semana passada as taxas de juros em meio ponto percentual, chegando a 2%, um nível historicamente baixo.

"A decisão levou em conta que as pressões inflacionárias diminuíram mais, devido especialmente ao maior enfraquecimento das perspectivas econômicas", diz o BCE em seu relatório mensal.

Desde 8 de outubro de 2008, o Conselho do BCE cortou os juros em 2,25 pontos percentuais.

No início de dezembro, o BCE fez a maior redução da taxa da história da entidade, em 0,75 ponto.

Então, o BCE considerou em seu boletim que a recuperação econômica aconteceria gradualmente "apoiada pela queda dos preços das matérias-primas", apesar do tom do relatório ser muito mais pessimista agora.

Isso se deve a que "os dados e os indicadores mensais de novembro e dezembro disponíveis desde a última reunião do Conselho de Governo (no início de dezembro), assinalam claramente um enfraquecimento maior da atividade econômica com a mudança do ano".

Os pedidos à indústria diminuíram 4,5% em novembro na zona do euro, em relação ao mês anterior, segundo dados do Eurostat, escritório estatístico comunitário.

Em comparação com o mesmo mês de 2007, os pedidos industriais caíram 26,2% nos países que compartilham o euro.

O Conselho do BCE espera que "a queda dos preços das matérias-primas apóie a receita disponíveis reais no próximo período".

Por sua vez, "as medidas implementadas pelos governos para enfrentar as turbulências financeiras deveriam ajudar a garantir confiança no sistema financeiro e a diminuir as restrições na oferta de crédito às empresas e às famílias".

O BCE insistiu em que as perspectivas para a economia dos países que compartilham o euro estão limitadas por um "grau de incerteza excepcionalmente alto".

A respeito da inflação, o BCE observa que ela caiu de maneira substancial desde meados de 2008, quando alcançou um máximo de 4%.

O Índice de Preços ao Consumidor Harmonizado caiu de 2,1% em novembro do ano passado para 1,6% em dezembro.

Este retrocesso reflete, principalmente, a forte queda dos preços das matérias-primas nos últimos meses.

O banco europeu solicitou a todas as partes envolvidas que contribuam para estabelecer "fundamentos saudáveis para uma recuperação sustentável".

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