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O Banco Central Europeu (BCE) injetou ontem mais de US$ 500 bilhões no sistema financeiro europeu para atender 703 bancos e tentar desbloquear os empréstimos entre as instituições. Os bancos já tomaram mais de US$ 1 trilhão em empréstimos do BCE.

O BCE injetou em uma das operações 305,42 bilhões (US$ 403 bilhões), a uma taxa de juros de 3,75%. Além disso, US$ 101,93 bilhões foram colocados com juros de 2,11%. Há uma semana, o BCE já havia colocado US$ 409 bilhões no sistema.

Para analistas, foi a falta de crédito entre os bancos que levou a um congelamento dos empréstimos nos últimos dias. O temor é que, sem isso, empresas não consigam investir, agravando o risco de recessão. O BCE acredita que as injeções estão dando resultado e que os empréstimos dão sinais de retomada. O custo de empréstimos em euros caiu ontem às menores taxas desde a quebra do Lehman Brothers, em setembro.

Temendo que as empresas européias passem a mãos de estrangeiros, a França anunciou que defenderá a criação de um fundo soberano europeu para incentivar o setor industrial e sugeriu que os governos do bloco comprem ações em companhias estratégicas. O presidente francês, Nicolas Sarkozy também quer a criação de um "governo econômico e financeiro" para a Europa, o que gerou reações negativas por parte dos alemães. "Nosso dever é garantir que a Europa possa continuar construindo barcos, aviões e carros", disse ao Parlamento em Estrasburgo. "Devemos considerar um fundo estatal que compraria ações de empresas estratégicas desvalorizadas." Ele sugeriu que, quando a crise terminar, essas ações sejam jogadas de volta ao mercado.

Para Berlim, o ideal seriam pacotes de ajuda direcionados a cada empresa. Para o ministro da Economia da Alemanha, Michael Glos, a proposta vai "contra os princípios da política econômica da Europa". Para ele, a intervenção nos bancos é um caso particular. "A Alemanha continua aberta ao capital de todo o mundo." O presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, não descartou a idéia.