Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

BCE indica que não deve mexer tão já na taxa de juro da zona do euro

SÃO PAULO - A desaceleração da economia global e a queda na demanda interna nos países da União Européia devem persistir pelos próximos trimestres, mas uma franca recuperação logo vai gradualmente tomar lugar no cenário econômico mundial. Isso é o que espera o Banco Central Europeu (BCE), na voz de Jürgen Stark, membro da diretoria executiva da instituição.

Valor Online |

A autoridade disse ontem em um conferência na cidade de Tübingen, na Alemanha, que a recuperação virá com a queda no preço das commodities, com o enfraquecimento das tensões nos mercados financeiros e com a melhora do ambiente externo.

Stark afirmou também que depois da grande flexibilização da polícia monetária adotada pelo Banco Central Europeu, "o espaço de manobra é muito curto, permitindo somente pequenos passos potenciais".

Atualmente a taxa básica de juro da zona do euro é de 2,5%. "Novas atitudes diante das interpretações que envolvem a estabilidade de preços na zona do euro provavelmente não serão tomadas antes de fevereiro ou março de 2009", afirmou a autoridade.

Desde 8 de outubro, o BCE cortou a taxa três vezes, realizando uma redução total de 1,75 ponto percentual. "Esses movimentos em curtos períodos de tempo são inéditos", afirmou Strak. Segundo ele, essa atitude só foi tomada porque o BCE enxergava que a inflação iria sofrer quedas futuras e que os riscos da alta dos preços eram mínimos no médio prazo.

"Dada a extraordinária situação, nós tomamos uma decisão extraordinária. Entretanto, essas medidas são de natureza temporária somente, e os agentes do mercado não devem se acostumar com o crescimento do papel dos Bancos Centrais na intermediação. Nossa função deve ser exclusivamente manter a estabilidade dos preços no médio prazo", disse Jürgen Stark.

As expectativas do BCE com relação ao crescimento econômico nos próximos meses não são animadoras. Depois de dois trimestres de retração, o PIB europeu no quarto trimestre de 2008 e nos primeiros momentos de 2009 "deve vir muito fraco". Quanto à inflação, a instituição espera uma média de 1,4% em 2009 e 1,8% em 2010, o que indica que o BCE não deve realizar mais grandes flexibilizações na taxa básica de juros do bloco.

Mesmo diante de uma crise sem precedentes, o BCE acredita não ser necessária a criação de um novo sistema financeiro global (como um Bretton-Woods atualizado). Jürgen Stark afirmou que apertar a regulação do sistema financeiro pode não prevenir uma crise econômica e que as autoridades devem balancear os custos e os benefícios de uma regulação muito inflexível.

Para ele, o sistema deve apenas seguir os princípios básicos que asseguram o bom-funcionamento da economia: as políticas monetárias orientadas para a estabilidade, a alta competitividade em todos os mercados, a proteção dos direitos de propriedade, a liberdade contratual e a responsabilidade ilimitada.

"Para conter a crise, a criação da moeda comum (o euro) está sendo um importante elemento de estabilização, pois tem mitigado os riscos e estancado o contágio. Sem o euro, a região do euro estaria bem pior hoje", concluiu Stark.

(Vanessa Dezem | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG