Arantxa Iñiguez Frankfurt (Alemanha), 9 ago (EFE) - O Banco Central Europeu (BCE) respondeu com injeções de liquidez extraordinárias à explosão das crises financeiras desencadeadas pelas hipotecas de alto risco dos Estados Unidos (subprime), que não estão perto do fim.

Um ano depois, alguns segmentos dos mercados monetários ainda não funcionam normalmente e se mantêm as tensões.

O membro espanhol no Comitê Executivo do BCE, José Manuel González Páramo, prevê que as tensões em certos segmentos dos mercados monetários persistam durante algum tempo.

Em um encontro com jornalistas econômicos em Frankfurt, o presidente da Federação de Bancos Alemães, Klaus-Peter Müller, disse que "o final da crise financeira não está à vista".

A crise das subprime gerou falta de liquidez no mercado de divisas e levou o BCE a responder, em 9 de agosto do ano passado, com uma injeção de recursos até então sem precedentes para tranqüilizar os mercados financeiros.

O BCE injetou quase 95 bilhões de euros (US$ 144,4 bilhões), valor que superava os 69,3 bilhões de euros (US$ 105,336 bilhões) de 12 de setembro de 2001, um dia depois dos atentados nos Estados Unidos.

A medida foi seguida pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA).

Antes, a entidade BNP Paribas Investment Partners tinha suspendido temporariamente as subscrições e reembolsos de três fundos: Parvest Dynamic ABS, BNP Paribas ABS Euribor e BNP Paribas ABS Eonia.

Na Europa, o Banco de Indústria Alemão (IKB), com participação estatal, foi o primeiro a anunciar em julho a exposição às subprime e revisar para baixo as previsões de lucro.

Estas hipotecas de alto risco americano representam uma parte pequena dos empréstimos nos EUA, mas muitos bancos as tiraram do passivo dos balanços transformadas em ativos nos quais investiram outros institutos de crédito, que também venderam o risco nos mercados de financiamento estruturados.

Com esta estratégia, mediante a qual os bancos diversificam o risco dos créditos entre muitos investidores, alguns analistas pensaram que seria mais fácil absorver o impacto de possíveis faltas de pagamentos, mas não foi assim.

A incerteza sobre a exposição real dos bancos às subprime, cuja inadimplência começou a se intensificar no final de 2006, fez com que não se emprestassem dinheiro no mercado interbancário e que se criasse uma escassez de liquidez a partir agosto de 2007.

Para assegurar o fornecimento de liquidez e permitir aos bancos seu funcionamento com normalidade, o BCE mudou o modo com o qual injeta o efetivo durante o chamado período de manutenção de reservas e injetava no início deste período mais liquidez do que o necessário, que era absorvido de forma gradual.

Além disso, o banco europeu introduziu mais operações de refinanciamento com vencimentos mais longos, a três e seis meses.

Apesar da existência de pressões inflacionárias, o BCE interrompeu a restrição de sua política monetária implementada nos seis primeiros meses de 2007 e manteve os juros no segundo semestre, devido à incerteza na economia pelo impacto da crise financeira.

O banco europeu tinha elevado na primeira metade de 2007 as taxas em duas ocasiões, em 0,25 ponto percentual cada, até 4%.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) calcula que as perdas de hipotecas e de ativos respaldados por hipotecas cheguem a US$ 565 bilhões, segundo dados de abril.

O valor chega a US$ 945 bilhões se forem incluídos os empréstimos e ativos respaldados pelo mercado imobiliário comercial, créditos de consumo e empréstimos a empresas. EFE aia/db

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