O Banco Central Europeu (BCE) cortou nesta quinta-feira sua principal taxa de juros menos que o previsto, em 0,25%, colocando-a em seu patamar mínimo histórico de 1,25% e aventando a possibilidade de uma nova baixa no futuro.

Após a reunião do conselho de diretores da instituição, seu presidente, o francês Jean-Claude Trichet, deu uma entrevista à imprensa e confirmou a notícia.

A ampla maioria dos analistas esperava uma redução das taxas de meio ponto percentual, para 1%.

"Tomamos a decisão de reduzir a taxa básica em 0,25%, e decidimos que este não é o nível mais baixo a que pode chegar", disse Trichet na entrevista à imprensa, após a reunião do conselho de governadores do BCE.

Desde outubro passado, o BCE reduziu sua taxa básica seis vezes, por um total de 300 pontos.

O BCE também reduziu as outras duas taxas de referência, a taxa de depósitos e a taxa de empréstimo marginal, a 0,25% e 2,25% respectivamente.

"É uma decepção, dado o que se esperava", destacou Jennifer McKeown, da Capital Economics, após o anúncio do banco.

"Não existe alternativa a uma baixa das taxas dado o claro retrocesso da inflação e as perspectivas de crescimento que estão cada vez mais sombrias", comentou a federação alemã de bancos públicos.

No entanto, o euro começou a subir em relação ao dólar depois da decisão do BCE, em um mercado à espera de boas notícias da Cúpula do G20 para enfrentar a pior crise econômica mundial em mais de 70 anos.

Às 13H15 GMT, um euro estava cotado a 1,3405 dólar, contra 1,3234 dólar na terça-feira no fechamento.

A principal taxa básica pode cair ainda mais no futuro, declarou nesta quinta-feira o presidente do BCE.

"Não posso excluir que a principal taxa diretriz pode cair ainda mais", indicou Trichet.

Os mercados financeiros pediram mais que um corte das taxas de juros do BCE, esperando que Trichet anunciasse medidas não convencionais para tentar reativar a economia.

Mas ele anunciou nesta quinta-feira que o BCE decidiria medidas não convencionais para estimular a economia em sua próxima reunião, dentro de um mês.

"Nossa opinião é que os cortes das taxas não são suficientes", disse o economista do UBS Stephane Deo.

Nos últimos dias, altos funcionários do BCE indicaram que o BCE poderia dar outros passos para incentivar a atividade empresarial na zona euro, destacou o economista chefe do IHS Global Insight, Howard Archer.

"Os esforços para tirar os 16 países da zona euro da recessão poderia conduzir o BCE a adotar medidas de flexibilização quantitativa", ou seja, essencialmente a confecção de dinheiro para estimular a atividade econômica.

O Federal Reserve americano, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão seguiram este caminho, revelando planos para comprar dívida pública e empresarial e títulos de alto risco garantidos por hipotecas.

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