Por Fabio Gehrke e Jenifer Corrêa SÃO PAULO (Reuters) - Em sessão bastante tumultuada, o dólar fechou em baixa nesta quarta-feira, após o Banco Central ter realizado uma série de intervenções no mercado.

A moeda norte-americana encerou cotada a 2,294 reais, em queda de 0,74 por cento, após ter apresentado máxima de 2,530 reais e mínima de 2,280 reais no pregão eletrônico da BM&F.

"Tudo isso na realidade está sendo uma queda de braço entre mercado e BC. Hoje ele (o Banco Central) resolveu mostrar para que comprou esses 210 bilhões (de dólares em reservas)", disse Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

A autoridade monetária realizou nesta quarta-feira três leilões de venda de dólares ao mercado, sem compromisso de recompra. Operações desse tipo não eram feitas desde março de 2003.

Os leilões foram anunciados após as negociações no mercado futuro de dólar terem atingido seu limite máximo de alta de 6 por cento, a 2,462 reais. Com isso, as operações no mercado de balcão permaneceram praticamente travadas durante todo o dia.

"A gente não conseguia pegar cotação, porque o pessoal dizia que não tinha gente no mercado", disse Mario Battistel, gerente de câmbio da corretora Fair.

O Banco Central ainda vendeu na sessão 1,3 bilhão de dólares em leilão de swap cambial tradicional, anunciado na véspera. Após as intervenções da autoridade monetária, na segunda metade da sessão, o dólar inverteu seu movimento.

"É roleta-russa, é uma briga entre desconfiança e esperança", disse um operador de câmbio que prefiriu não ser identificado, referindo-se à volatilidade apresentada pela moeda na sessão.

Para Galhardo, o avanço apresentado pelo dólar durante a maior parte da sessão e nos últimos dias não ocorre pela ausência de moeda no mercado. "O pessoal não vai liberar todo o recurso, porque isso é proteção... O pessoal está segurando (dólares) por causa da alta."

Os dados sobre o fluxo cambial, divulgados nesta quarta-feira, comprovaram a entrada líquida de dólares no país. O saldo estava positivo em 514 milhões de dólares nos três primeiros dias de outubro, após ter fechado setembro também positivo em 2,8 bilhões de dólares.

(Reportagem de Jenifer Corrêa e Fabio Gehrke)

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