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BC vai liberar até R$ 100 bi para o sistema financeiro

Diante dos sinais de agravamento da falta de recursos no sistema financeiro, o Banco Central adotou uma postura mais agressiva para injetar dinheiro na economia, com o anúncio de novas regras para a liberação de depósitos compulsórios - parte dos recursos captados pelos bancos junto aos clientes que têm de ser recolhidos ao BC. Ontem pela manhã, a autoridade monetária anunciou um programa para liberar até R$ 100 bilhões dos compulsórios.

Agência Estado |

O valor não ficará disponível de imediato e o cronograma para a liberação desses recursos não foi divulgado, mas as alterações já adotadas para algumas modalidades de compulsório vão injetar no mercado, no curto prazo, cerca de R$ 47 bilhões. Essa é a quarta vez que o BC libera dinheiro dos compulsórios em menos de um mês, uma indicação de que as ações tópicas até agora não foram suficientes para debelar a paralisia do crédito no mercado.

Duas medidas entraram em vigor ontem mesmo. Uma delas permitiu a elevação de R$ 300 milhões para R$ 1 bilhão do valor de dedução do compulsório adicional incidente sobre depósitos à vista (conta corrente), a prazo (como CDBs) e poupança. A decisão deve colocar R$ 8 bilhões no sistema financeiro.

A outra medida já implementada pode irrigar o mercado com R$ 20 bilhões: as operações de compra de dólares nos leilões do BC vão poder ser descontadas no recolhimento compulsório que incide sobre os depósitos bancários das empresas de leasing. O benefício vale apenas para os leilões em que há compromisso de revenda dos dólares para o BC.

E será gerado apenas durante o período da operação de câmbio - entre o leilão de venda do BC e a data estipulada para a recompra. Este abatimento será no valor total da aquisição dos dólares pela instituição financeira.

Na prática, ao tornar mais atrativos os leilões de dólares do BC, essa medida incentiva o giro de mais moeda estrangeira no mercado - o que pode contribuir para reverter a subida das cotações do dólar das últimas semanas.

O BC também anunciou o aumento de R$ 700 milhões para R$ 2 bilhões do abatimento permitido no caso do compulsório principal que incide sobre o volume de depósitos a prazo nas instituições financeiras, que hoje tem uma alíquota de 15%. Essa medida sozinha, que entrará em vigor na próxima sexta-feira, dia 17, injetará R$ 13,1 bilhões no sistema.

Outra medida permite que um maior número de bancos possa usufruir do programa de venda de carteiras (ver abaixo). Com isso, outros R$ 6 bilhões devem voltar ao mercado, dependendo da efetivação das compras de carteiras e títulos pelas instituições financeiras. A medida também entra em vigor em 17 de outubro.

Para o economista-chefe do banco Itaú, Tomás Málaga, as medidas anunciadas pelo BC são bem-vindas porque o custo de captação de recursos subiu muito, dificultando o funcionamento adequado do mercado de crédito. "As medidas devem ajudar a desatar esse nó. Elas foram bem apropriadas e devem fazer com que volte a fluir a liquidez. Precisava de uma atitude mais proativa", disse o economista, destacando que o agravamento da crise exigia medidas adicionais por parte do BC.

Para o economista e ex-diretor do BC Carlos Eduardo de Freitas as medidas mostram a seriedade da crise financeira. "As medidas são robustas, fortes. As decisões devem incentivar o fluxo de recursos", disse Freitas. Para ele, o anúncio pode indicar que as medidas adotadas anteriormente não surtiram efeito. "É preciso ficar atento para que o problema de liquidez não se torne de solvência, que é muito grave. O BC quer extirpar esse tumor antes que crise de liquidez evolua para uma crise de solvência", afirmou. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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