BRASÍLIA - O Banco Central (BC) registrou lucro líquido de R$ 3,2 bilhões no balanço do primeiro semestre, mesmo tendo prejuízos no valor de R$ 44 bilhões com a variação do câmbio. Anthero Meirelles, diretor de Administração do BC, informou que houve uma mudança na contabilidade, que retirou as perdas com a apreciação do real no período.

Ele explicou que a mudança foi permitida pela Medida Provisória 435, de janeiro último. A nova metodologia repassa ao Tesouro, e exclui do balanço do BC, os prejuízos do carregamento das reservas internacionais e das variações dos contratos de swap cambial (nos quais o BC paga em juros, a diferença da variação do câmbio).

De janeiro a junho, o real valorizado gerou perdas com as reservas de R$ 38,8 bilhões, enquanto os ajustes do swap deram prejuízo de R$ 5,2 bilhões, ou seja, R$ 44 bilhões. Nas demais operações com títulos públicos, por exemplo, o BC registrou lucro de R$ 3,2 bilhões. Não fosse a mudança, o prejuízo do semestre seria de R$ 40,8 bilhões.

Mas o Tesouro fará a equalização das perdas cambiais, repassando títulos públicos ao BC ao fim do ano. O diretor do BC lembrou que a valorização do câmbio reduz o valor em dólares das reservas internacionais, quando computado em reais. Nos ativos totais de R$ 857 bilhões do BC, as reservas representam cerca de 42% ou R$ 359,5 bilhões.

No primeiro semestre de 2007, o BC teve uma perda cambial de R$ 33 bilhões e lucro de R$ 2,7 bilhões fazendo política monetária. Ele informou ainda que houve uma reversão no resultado de junho e, neste mês, o BC registra ganhos de R$ 6 bilhões com swaps e reservas.

Ficou muito mais visível para entender a função de executor de política monetária do Banco Central, disse Meirelles. A forma de divulgar o resultado anterior era, nada mais, nada menos, do que o resultado da Ptax, a taxa de câmbio apurada pela média dos negócios em dólares americanos divulgada pelo próprio BC.

Segundo ele, a nova contabilidade melhora o entendimento dos especialistas, pois havia uma situação de difícil compreensão. Isso porque o BC brasileiro tem ativos em moeda estrangeira, que são as reservas. Mas não tem passivos correspondentes, a dívida externa, que foi transferida ao Tesouro há algum tempo. A apreciação cambial dá ganhos ao Tesouro ao reduzir a dívida externa.

Meirelles negou que a mudança seja uma mágica contábil. E também refutou a possibilidade de críticas sobre falta de transparência, já que isso é exigido pelo BC sobre os balanços das entidades financeiras. Antes, a variação cambial ofuscava o resultado das operações típicas de política monetária, reiterou.

Ele explicou que o efeito da variação cambial sobre o balanço do BC estava em notas explicativas. Agora, o balanço contém uma conta sobre as obrigações do Tesouro com o carregamento das reservas.

Ter reservas nesse patamar envolve um custo, mas se imagina que os ganhos são compensadores pela estabilidade que dão ao país ante crises externas, declarou o diretor do BC, após aprovação do balanço pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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