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BC sobe previsão de déficit para US$ 28 bilhões

A crise internacional levou o Banco Central a aumentar novamente as estimativas de déficit em conta corrente - de US$ 21 bilhões para US$ 28,8 bilhões em 2008 e US$ 33,1 bilhões em 2009. Entre janeiro e agosto, houve um déficit nas transações correntes (diferença entre entrada e saída de dólares) de US$ 20,6 bilhões, em comparação um superávit de US$ 3,045 bilhões no mesmo período do ano anterior.

Agência Estado |

A piora no resultado se explica não pela balança comercial (exportações menos importações), mas pela balança de serviços e rendas, pressionada pela remessa de US$ 24,8 bilhões em lucros e dividendos.

Os Estados Unidos lideram o recebimento das remessas de lucros e dividendos, segundo o BC. Em 2007, empresas americanas receberam 17,2% das remessas originadas no Brasil, enquanto, em 2008, o porcentual chega a 27,2%. Isso quer dizer que as filiais das empresas americanas têm sido pressionadas a enviar dólares para suprir a demanda por liquidez das matrizes. "A remessa tem crescido por causa dos maiores lucros gerados pelo crescimento da economia brasileira, mas também tem a ver como o agravamento da crise. O maior porcentual de remessas para os Estados Unidos é uma prova disso", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Apesar do maior déficit em conta corrente e das remessas ao exterior, o Brasil vem recebendo cada vez mais investimentos estrangeiros diretos (IED). A entrada de dólares via empresas investidoras (ou aplicações em títulos de renda fixa) tem contrabalançado a perda de dólares nas transações correntes, mantendo a balança de pagamentos estabilizada.

De janeiro a agosto, o IED já soma R$ 24,6 bilhões e, em setembro, deve ultrapassar os US$ 5,2 bilhões. O valor, elevado para um único mês, foi encorpado pela entrada de dólares relativos à aquisição da mineradora MMX, do empresário Eike Batista, pela Anglo American. A estimativa do BC para o fim do ano é que a conta atinja os US$ 35 bilhões.

"A despeito da crise, estamos mantendo a projeção de IED de US$ 35 bilhões e diria que inclusive é uma projeção conservadora. Esse é um diferencial do Brasil e mostra uma certa confiança no País e nos seus fundamentos econômicos", afirmou Lopes.

Desde o início do ano, o BC já reviu várias vezes as projeções para os principais indicadores das contas externas. Comparando com os números de fevereiro, as diferenças são grandes (veja tabela). As transações correntes, por exemplo, apareciam superavitárias em US$ 4,5 bilhões nas primeiras projeções. Mas já sofreram três ajustes para baixo.

A balança comercial também está pior do que o imaginado inicialmente (superávit de US$ 25 bilhões em vez de US$ 35 bilhões), mas as exportações superam as expectativas (projeta-se US$ 198 bilhões ante US$ 145 bilhões em fevereiro) - abaixo da nova previsão divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, de US$ 202 bilhões.

A piora da balança é explicada pela ampliação das importações, inicialmente estimadas em US$ 110 bilhões e agora em US$ 173 bilhões. Para 2009, o BC espera nova queda no saldo comercial, mas as remessas de lucros e dividendos e a balança de serviços devem interromper a trajetória de piora. De acordo com Altamir, o cenário é compatível com a expectativa de desaceleração da economia brasileira, que produzirá menores lucros. Apesar disso e da crise internacional, ele prevê que o Brasil continue atraindo um volume de IED da ordem de US$ 33 bilhões em 2009.

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