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BC retoma estratégia de 2002 com empréstimo de dólar

Por Isabel Versiani NOVA YORK (Reuters) - Diante da disparada do dólar no mercado brasileiro, o Banco Central decidiu realizar leilões de venda da moeda norte-americana ao mercado com compromisso de compra futura, numa estratégia semelhante à adotada em 2002 em meio à tensão dos investidores antes da eleição presidencial.

Reuters |

O presidente do BC, Henrique Meirelles, anunciou em Nova York que os leilões --que funcionam como um 'empréstimo' de dólares ao mercado-- serão realizados com a frequência que o BC considerar necessária.

'Existe, não há dúvida, uma questão de liquidez em dólares, à medida que existe um problema de liquidez no sistema financeiro americano, que é o grande provedor de dólares. Isso se reflete, evidentemente, nas linhas interbancárias de dólar', disse Meirelles a jornalistas.

'Em função disso, o Banco Central do Brasil tomou a decisão hoje de promover leilões de venda de dólares conjugado com uma compra futura. O BC vai estar, portanto, provendo liquidez no mercado interbancário de moeda estrangeira.'

Com isso, acrescentou Meirelles, o BC vai atuar para 'corrigir uma distorção nos mecanismos de fornecimento de liquidez dos mercados internacionais'.

O dólar chegou a subir 5,03 por cento nesta quinta-feira, cotado a 1,961 real, com a contração de crédito decorrente da crise financeira global. Logo após o anúncio de Meirelles, a moeda norte-americana perdeu um pouco da força e fechou em alta de 2,89 por cento, a 1,921 real.

CRISE SÉRIA, BRASIL MELHOR

Meirelles afirmou ainda que 'já está claro para todos' que a crise é séria e ainda não foi debelada, mas reiterou a avaliação de que a situação do Brasil é mais confortável que no passado.

'O objetivo da nossa visita hoje e ontem aos Estados Unidos era ouvir das autoridades americanas e do setor privado a avaliação e percepção de risco... e seus desdobramentos sobre o sistema financeiro global. E também quanto ao quadro macroeconômico de médio prazo', disse.

'A crise de fato é seria, já está claro para todos, mas as autoridades financeiras dos EUA estão atuando de forma decidida e em coordenação com outros bancos centrais do mundo.'

Ele citou que, além dos cerca de 200 bilhões de dólares em reservas internacionais, o Brasil conta com 20 bilhões de dólares em contratos de swap cambial reverso 'que, na prática, reforça ainda mais a posição das reservas'.

'Uma posição de reservas desse porte conjugada com o câmbio flutuante é muito mais forte, muito mais resistente... Ainda mais, o Brasil é credor líquido em moeda estrangeira', ressaltou.

'Portanto, aquele antigo ciclo de deterioração de confiança em que uma desvalorização cambial levava à piora da relação dívida/PIB é coisa do passado.'

(Texto de Daniela Machado)

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