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BC reduz projeção de déficit em conta corrente em 2009 para US$ 25 bi

BRASÍLIA - Uma redução significativa no ingresso de capitais estrangeiros no país vai forçar um ajuste nos gastos do país em transações correntes com o exterior, principalmente com redução de remessas de juros e dividendos. O saldo da conta corrente do Balanço de Pagamentos, antes projetado em um déficit de US$ 33,1 bilhões para 2009, foi reestimado pelo Banco Central (BC) para US$ 25 bilhões negativos, diante da expectativa de menor oferta de investimentos, financiamentos e empréstimos externos ao Brasil.

Valor Online |

A revisão divulgada hoje aponta que o fluxo líquido de investimentos em portfólio (ações e papéis de renda fixa), que seria positivo em US$ 15 bilhões pela previsão anterior, ficará negativo em US$ 3 bilhões.

Espera-se ainda uma inversão, embora pouco acentuada, no fluxo de crédito de médio e longo prazo. Essa modalidade, que seria superavitária em US$ 2,3 bilhões, deve ficar negativa em US$ 400 milhões. A previsão é de que novos empréstimos sejam de US$ 26,5 bilhões, contra amortizações de US$ 26,9 bilhões.

Os investimentos externos diretos continuarão superando as repatriações de capital da mesma modalidade, embora em menor volume. A projeção para a entrada de IED em 2009 caiu de US$ 33 bilhões para US$ 30 bilhões. Isso após atingir o recorde de US$ 40 bilhões em 2008.

A redução de US$ 8 bilhões na projeção de déficit da conta corrente decorrerá, principalmente, de recuo na remessa de lucros e dividendos das multinacionais. O BC prevê que ficarão em torno de US$ 20 bilhões, uma queda de US$ 10 bilhões sobre o previsto em setembro.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, apontou três motivos para esse novo cenário: a queda na base dos investimentos estrangeiros; a desvalorização cambial e a desaceleração da atividade econômica, que vai gerar menos lucros para as remessas.

Lopes informou que as aplicações externas em ações de empresas brasileiras caíram da posição de US$ 194,2 bilhões em junho de 2008, para US$ 76,06 bilhões em 31 de outubro. Somente a volatilidade do Ibovespa reduziu esse estoque em US$ 66,1 bilhões; a depreciação do câmbio cortou US$ 30,7 bilhões e os resgates com remessas ao exterior em US$ 13,4 bilhões.

Na mesma comparação, o saldo de investimento externo direto saiu de US$ 181,18 bilhões para US$ 317,59 bilhões. Apesar dos ingressos ininterruptos, a redução é efeito da desvalorização do câmbio.

Outro exemplo de corrosão da crise é o estoque de aplicações de estrangeiros em papéis de renda fixa, que era de US$ 63,55 bilhões e passou a US$ 44,6 bilhões, segundo informou o BC.

Lopes ainda destacou que os gastos com viagens internacionais exercerão menor pressão em função da alta do dólar, com déficit de US$ 1,5 bilhão, ante US$ 6 bilhões esperados antes.

Outro fator negativo é o aumento na conta de juros da dívida externa, que aumentou de US$ 6,7 bilhões para US$ 9 bilhões ano que vem. "A principal razão é o menor rendimento esperado para as reservas internacionais", citou o técnico do BC, já que a maior parcela da reservas está aplicada em títulos do tesouro americano, agora com juros próximos a zero.

(Mônica Izaguirre | Valor Econômico e Azelma Rodrigues | Valor Online)

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