Para Zeina Latif, economista-chefe do ING, o BC buscou coordenar expectativas com a alta de 0,75 ponto, que pode se repetir em outras reuniões. O que a sra.

Para Zeina Latif, economista-chefe do ING, o BC buscou coordenar expectativas com a alta de 0,75 ponto, que pode se repetir em outras reuniões. O que a sra. achou da decisão? Não posso dizer que o aumento de 0,75 seja equivocado, uma vez que a atividade está aquecida, e que a política monetária está acomodatícia, isto é, tem um viés expansionista, que é importante remover nesse momento. E o comunicado, como a sra. o analisou? É muito lacônico, e não traz nada sobre o próximo Copom. Mas parece razoável acreditar que eles não farão apenas um aumento de 0,75. Se esta estratégia foi adotada, não vejo razão para mudarem em 45 dias. E aí, naturalmente, o jogo do mercado passa a ser se ele vai acelerar o ritmo ou não. Além disso, acho importantíssimo que a decisão tenha sido unânime, já que houve tanto ruído na última reunião ligado ao fato de que houve divisão nos votos. Como interpretar esse movimento de 0,75 ponto porcentual? Dada a fala do Meirelles (Henrique Meirelles, presidente do Banco Central) no Senado, de que eles não estavam tão surpresos assim com a atividade econômica, entendo que esse 0,75 é um esforço de coordenar as expectativas. De evitar questionamentos de que o BC está atrás da curva, que está leniente, e aí as expectativas inflacionárias mudarem novamente de patamar. Qual deve ser o aumento total da taxa Selic? Nós temos um viés de rever para cima nossa previsão de 2 pontos porcentuais, e essa alta de abril indica pelo menos uns 2,5. De qualquer forma, eu ainda tenho uma visão mais otimista do que a média do mercado para a inflação, e não acho que vai ser necessário um aperto muito forte. Não tenho dúvida em relação ao grau de aquecimento e do quanto isso impõe desafios para o BC porque, quanto mais aquecido, mais sujeito a choques se fica. Eu tenho consciência disso, mas o cenário com que trabalho ainda não é de desvio significativo da meta. Para este ano, por exemplo, eu espero 4,9%, e não o 5,4% do mercado; e 4,5% para o ano que vem, contra 4,8% do mercado. Por quê a sra. está mais tranquila quanto à inflação do que a média do mercado? Eu achei importante o último resultado do IPCA-15, que mostrou uma inflexão nos núcleos de inflação. De fato, o primeiro trimestre trouxe uma surpresa inflacionária muito grande, mas não dá para tomar toda essa surpresa como sinal de pressão de demanda. A pressão existe, mas acho menor do que vem sendo sugerido. A sra. acha que os problemas de crédito de Grécia e Portugal mudam algo na trajetória da política monetária brasileira? Acho que é marginal. O grande determinante da inflação, hoje, é doméstico. Na área internacional, para a inflação, o que importa é o balanço entre o câmbio e o preço das commodities, e o impacto, portanto, do preços das commodities em real na nossa inflação. É isso que o Banco Central vai olhar, e a Grécia não mexe nisso significativamente.

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