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O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje, no Frankfurt European Banking Congress 2008, que o processo de queda da inflação nos países emergentes será mais lento do que nos países desenvolvidos, onde esse movimento facilita a atuação anticíclica da política monetária (queda das taxas de juros para estimular a economia). Enquanto a desinflação possivelmente será rápida nas economias maduras, criando condições adequadas para ações de política monetária contracíclicas em diferentes países, nas economias emergentes a desinflação provavelmente será mais lenta, afirmou Meirelles em pronunciamento que está disponível na página do BC na internet (www.

bcb.gov.br).

Ele destacou que essa queda mais lenta na inflação nos países em desenvolvimento ocorrerá particularmente nos países em que as autoridades não atuaram preventivamente contra a escalada recente dos preços ou que não mantêm uma atitude de vigilância. "Em todo caso, o sistema de metas de inflação é o modelo mais adequado para coordenar as expectativas de inflação, particularmente em um ambiente de mercado com crescente incerteza", argumentou, destacando que isto vale para economias emergentes e também maduras.

Para Meirelles, cada país tem que agir de acordo com suas necessidades e recursos no enfrentamento da crise, considerando os diferentes tipos de impacto que ela está causando. "O importante aqui é estabelecer uma diferenciação clara entre estímulos fiscais, administração da liquidez e política monetária. A diferença entre os dois últimos não é muito claro para alguns observadores, mas é fundamental", afirmou. "Em momentos de disfuncionalidade do mercado, flexibilizações monetárias algumas vezes não funcionam. É importante mencionar que em algumas circunstâncias a administração da liquidez é a questão fundamental", acrescentou, destacando que não se pode esquecer do controle da inflação, que é base para restaurar o crescimento.

FMI

Em seu pronunciamento, Meirelles sugeriu mudanças na forma de atuação do Fundo Monetário Internacional (FMI). Meirelles avaliou que um dos complicadores para o enfrentamento da atual crise é que o FMI, por décadas, atuou focado em prevenir crises nos países emergentes. Agora, tornou-se mais importante que o FMI tenha foco em todas as "economias relevantes" e trabalhe de fato como um sistema que antecipe possíveis problemas. Ele também defendeu a idéia de que o FMI e o Fórum de Estabilidade Financeira trabalhem juntos para propor um novo conjunto de regulações.

Meirelles destacou ainda a importância de se rever o papel do FMI no apoio aos países que não têm condições financeiras de enfrentar a atual turbulência. Segundo ele, antigamente o Fundo atuava de forma localizada, propondo políticas para restaurar a solidez dos países. "O problema que enfrentamos agora é que há alguns países que podem ter políticas sólidas e mesmo assim são afetados pela crise sistêmica global", afirmou. "Se a crise é "importada" e o país não consegue suprir suas necessidades financeiras, o FMI deve prover liquidez e contribuir para os ajustamentos anticíclicos", acrescentou, sugerindo que as autoridades de países líderes considerem a possibilidade de permitir que o Fundo faça emissão de bônus, alavancando o poder de atuação da instituição multilateral.

Em relação ao Banco Mundial, Meirelles defendeu que o órgão foque sua atuação nos países pobres, que não precisam apenas de liquidez e crédito, mas efetivamente de ajuda financeira.

Segundo o presidente do BC, uma questão crítica, tanto para o FMI como para o Banco Mundial, é legitimidade e, por isso, defendeu, é preciso dar um peso proporcional à importância dos países emergentes na estrutura de governança dessas duas instituições. Ele também ressaltou que o papel do G-20, que reúne os principais países emergentes e o clube dos países mais ricos do mundo (G-7), cresceu neste momento de crise. "Está claro hoje que o G-7 ou mesmo o G-10 não são capazes de lidar sozinhos com as relevantes questões que afetam a economia internacional", afirmou Meirelles, destacando que, apesar de o tamanho do G-20 ser um potencial empecilho em termos de efetividade, faz-se necessário tentar superar isso.

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