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As provisões de crédito do sistema financeiro cresceram 16,9% em fevereiro na comparação com janeiro, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, esse movimento reflete principalmente a mudança feita no final do ano que autorizou os bancos que fizerem provisões acima do requerido a não descontar esse adicional do seu patrimônio, protegendo a capacidade de alavancagem das instituições, além, é claro, de uma maior percepção de risco.

Segundo Altamir, esse processo de provisionamento vinha sendo feito e só agora entrou nas estatísticas do BC. O estoque de provisões do sistema financeiro em fevereiro era de R$ 79,2 bilhões, para um volume de crédito total de R$ 1,23 trilhão. Altamir argumentou que o fato que comprova que a mudança na regra está interferindo no aumento das provisões é que os bancos privados colocaram um volume significativo de recursos, R$ 3,5 bilhões (ante R$ 214 milhões em janeiro), para provisionar crédito de classificação AA, a mais baixa que existe e que não exige provisionamento.

Bancos públicos

A participação dos bancos públicos no total de crédito concedido pelo sistema financeiro nos últimos 12 meses subiu significativamente. Segundo Altamir Lopes, os bancos públicos responderam por 37% do estoque de crédito em fevereiro. No mesmo mês de 2008, essa participação era da ordem de 34%. Já os bancos privados nacionais tiveram sua parcela no crédito reduzida de 44% para 42% e os bancos estrangeiros, de 22% para cerca de 21%.

Março

Altamir informou que o spread médio geral das operações de crédito com recursos livres recuou 0,8 ponto porcentual em março até o dia 16 para 29 pontos porcentuais ao ano em relação ao porcentual de fevereiro. O spread para a pessoa física recuou 0,4 ponto porcentual para 41 pontos porcentuais. Para a pessoa jurídica, o spread recuou 1,2 ponto porcentual para 17,7 pontos porcentuais.

A taxa de juros média praticada no sistema financeiro no crédito livre em março até o dia 16 ficou em 40% ao ano, com queda de 1,3 ponto porcentual em relação à posição de fevereiro. Para a pessoa física, a taxa de juros recuou 1,1 ponto porcentual para 51,5% ao ano. Para a pessoa jurídica, a taxa de juros média caiu 1,6 ponto porcentual para 29,2% ao ano.

Altamir informou ainda que o volume de crédito livre em março até o dia 16 cresceu 0,9% na comparação com os onze primeiros dias úteis de fevereiro. O crédito para pessoa física, nessa comparação, cresceu 1% e para a pessoa jurídica, 0,9%.

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