O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, defendeu hoje a necessidade de discutir legislações criadas no passado, quando o País precisava de dólares. Segundo ele, os fundos de pensão, por exemplo, têm restrições para aplicar recursos no exterior.

O BC, afirma Meirelles, não trabalha em novas medidas para o câmbio, mas continua no esforço de aperfeiçoar o sistema.

Ele lembrou que há vários anos vem sendo feito um trabalho neste sentido. Em 2005, por exemplo, houve a unificação dos mercados cambiais e, mais recentemente, a flexibilização da cobertura cambial. "O aperfeiçoamento é importante para dar maior transparência e melhorar a formação de preço", afirmou.

Meirelles lembrou que o BC também tem trabalhado com autoridades financeiras de outros países para que haja comércio em moeda local. Ele disse que há entendimentos com China, Rússia e Índia. Além disso, já há um entendimento com Argentina e Uruguai. "Já temos um amplo trabalho visando ao comércio em moeda local", disse o presidente do BC, durante encontro com parlamentares da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados.

Câmbio flutuante

O presidente do BC defendeu ainda o regime de câmbio flutuante. Segundo ele, a experiência internacional mostra que o câmbio fixo tem sido abandonado, porque gera crises cambiais ou inflações elevadas. "O regime que mais tem mostrado eficácia é o flutuante", afirmou, ao participar de seminário promovido pelo PMDB na Câmara dos Deputados.

Meirelles disse que o governo está atento para que não haja deformação de preços por crise de liquidez ou por excesso de liquidez. Ele lembrou que o BC tem atuado nestes casos para reforçar as reservas internacionais e enxugar o excesso de liquidez. Meirelles disse que o Brasil também pode adotar outras medidas fiscais para ajudar nestas oscilações do câmbio, que possam gerar uma distorção na formação de preços do dólar.

O presidente do BC destacou que o Brasil não sofre com capital especulativo, como no final da década de 90. "Hoje, os dados do BC mostram que grande parte da entrada de recursos é em Bolsa de Valores, que entram num dia e não saem no outro", afirmou. Para ele, o problema cambial é influenciado pela entrada desses capitais e pelos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED). "Não há dúvidas que há uma preocupação a este respeito (câmbio), mas temos que ter cuidado para não cometer erros do passado e prejudicar o setor produtivo", disse.

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