O Banco Central não fez nenhum empréstimo de dólares na primeira data prevista para a transferência de recursos das reservas internacionais para o financiamento de empresas brasileiras com dívida no exterior. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, dada a complexidade da operação, empresas e bancos continuam negociando.

Esta sexta-feira era a primeira data fixada para o empréstimo dos dólares.

Apesar de nenhum dólar ter sido desembolsado hoje, o BC informa que a demanda pela operação é "muito positiva". Até agora, sete instituições financeiras já estabeleceram contato preliminar com a autoridade monetária, interessadas em tomar os recursos. "A demanda por empréstimos de dólares das reservas internacionais para o financiamento de dívidas das empresas brasileiras no exterior é muito positiva", diz o BC via assessoria de imprensa.

Quando a operação foi anunciada no início do mês, o presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles, informou que o BC estava disposto a emprestar até US$ 36 bilhões das reservas. Na ocasião, ele informou que a demanda estimada estaria em torno de US$ 20 bilhões e que a oferta desses recursos era "um passo importante para regularizar o mercado de crédito" após o agravamento da crise financeira em setembro do ano passado.

Nessa operação, empresas com dívida no exterior que queiram usar os recursos devem procurar os bancos para verificar a taxa de juro praticada por essas instituições. Os bancos são livres para determinar a taxa cobrada dos clientes, a depender de fatores como o relacionamento e risco. Escolhida a instituição, a empresa informa valores e vencimentos da dívida e formaliza o empréstimo. De posse dos dados, o banco os entrega ao BC, que analisa as transações e tem de aprovar operação por operação. A empresa pode conseguir rolar até 100% da dívida.

Os dólares sairão do BC para o banco, em datas estabelecidas. As próximas são 13 e 27 de março. Por fim, a instituição financeira transfere o dinheiro às companhias, que têm um ano para devolvê-lo. Os bancos que participam do empréstimo têm de pagar à autoridade monetária juro preestabelecido de 1,5% sobre a taxa Libor, principal referência no mercado financeiro de Londres.

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