Os preços do petróleo caíram de forma expressiva desde outubro. A avaliação consta da ata da reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada hoje.

Apesar de admitir que há muita incerteza relacionada ao comportamento dos preços nesse mercado, os diretores do BC dizem que "não parece prudente descartar por completo a hipótese de que ocorram reduções de preços em 2009" na gasolina.

Além de não descartar essa hipótese, a ata lembra que a redução dos preços internacionais do petróleo "pode eventualmente se transmitir à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas como a petroquímica, quanto pelo efeito potencial sobre as expectativas de inflação".

O documento ainda observa que os preços de outras matérias-primas (commodities) também apresentaram reduções desde a última reunião em outubro. Essa queda, na avaliação do colegiado, é uma reação "tanto ao maior pessimismo sobre as perspectivas para o crescimento da economia mundial, quanto à continuidade da turbulência nos mercados financeiros globais".

Atividade econômica

O Copom reforçou a avaliação de que as perspectivas para a evolução da atividade econômica se deterioram desde a última reunião. Em particular, os efeitos da crise internacional sobre as condições financeiras internas indicam que a contribuição do crédito para a sustentação da demanda doméstica pode arrefecer de forma mais intensa e possivelmente persistente do que a que seria determinada exclusivamente pelos efeitos defasados da políticas monetária.

O documento observa ainda que o agravamento da crise externa tem gerado influência negativa sobre a confiança na economia. "Caso persista tal situação, o dinamismo da atividade passaria a depender crescentemente da expansão da massa salarial real e dos efeitos das transferências governamentais esperadas para este e para os próximos trimestres.

O comitê avalia que as informações disponíveis dos últimos meses sobre a produção industrial apontam para uma "interrupção" do seu ciclo de expansão, por conta da "deterioração das perspectivas para a economia mundial e de seus efeitos sobre a economia brasileira". Na ata de sua última reunião, o Copom, com base nas informações mais recentes sobre a trajetória do nível de utilização da capacidade instalada, enxerga evidências de que "estaria em curso um processo de redução do descompasso entre a evolução da oferta e da demanda doméstica", fator que tem, na visão do BC, forte correlação com a trajetória da inflação.

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