Mesmo com a expressiva saída de dólares do Brasil em junho, o Banco Central manteve a estratégia de comprar a moeda americana no mercado para reforçar as reservas internacionais

Mesmo com a expressiva saída de dólares do Brasil em junho, o Banco Central manteve a estratégia de comprar a moeda americana no mercado para reforçar as reservas internacionais. No mês passado, foram adquiridos US$ 1,92 bilhão. Sem dólar novo na praça, o BC teve de comprar a divisa dos bancos. Essas operações aumentaram a chamada posição ¿vendida¿ das instituições financeiras no câmbio, quando os bancos assumem o compromisso de entregar a moeda americana no futuro.

Pelo 14.º mês consecutivo, o BC manteve a política de comprar dólares no mercado à vista. No mês com a maior fuga de recursos do ano, o ritmo dessas aquisições, porém, foi reduzido: a cada dia de junho, foram cerca de US$ 91,4 milhões. O valor é 54% menor que a média de maio. Apesar da diminuição da velocidade, as intervenções de junho superaram o resultado de janeiro, quando os leilões retiraram, na média, US$ 85,4 milhões. Naquele mês, vale lembrar, o fluxo de dólares era positivo para o Brasil.

A manutenção das compras diárias afetou a posição dos bancos no mercado cambial. Sem a entrada de novos dólares no mês passado, as aquisições realizadas pelo Banco Central afetaram a quantidade de dólares que bancos mantêm em caixa. Isso aumentou a chamada posição ¿vendida¿ das instituições financeiras para US$ 9,04 bilhões em junho. O valor é 176% maior que o verificado em maio, quando o patamar era de US$ 3,27 bilhões.

No jargão do mercado, manter posições ¿vendidas¿ no câmbio sinaliza a crença de que as cotações da moeda americana podem cair no futuro. Ao contrário, estar ¿comprado¿ aponta para a expectativa de alta das cotações.

Crítica

A manutenção das compras de dólar do Banco Central mesmo em períodos de saída de dólar do Brasil começa a suscitar críticas de alguns economistas. O debate mora principalmente no custo dessa operação. Para comprar a moeda estrangeira, a autoridade monetária precisa captar reais no mercado. Para isso, o governo pega dinheiro emprestado no Brasil e paga a taxa Selic aos investidores, que ficam com um título público que atualmente paga 10,25% ao ano.

Com os reais na mão, o Banco Central compra os dólares. Boa parte desses recursos é investida em títulos do governo dos Estados Unidos. Essa aplicação, considerada a mais segura do mundo, paga juros inferiores a 3%. A diferença entre as duas taxas - atualmente de cerca de 7% - é bancada pelo governo brasileiro. Atualmente, as reservas internacionais já estão em US$ 253,9 bilhões.

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