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BC mantém a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, mas sinaliza corte em 2009

SÃO PAULO - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano, sem viés. A manutenção da Selic foi unânime e só saiu após quatro horas de reunião na noite desta quarta-feira. O colegiado deixou uma probabilidade de corte no primeiro encontro de 2009, marcado para fevereiro.

Davi Franzon, do Último Segundo |

 

Em nota oficial, o Banco Central informou que os membros do comitê cogitaram um corte na Selic nesta reunião, mas "o ambiente macroeconômico continua cercado por grande incerteza, o que resultou na manutenção da taxa por unânimidade".

Mesmo com essa indicação, a decisão desta quarta foi vista como um excesso de austeridade por parte de autoridade monetária, já que a avaliação do mercado financeiro é a de que os reflexos da crise global, principalmente a retração do crédito, do consumo e, consequentemente, da produção, indicariam ao Copom um cenário favorável ao corte da taxa básica de juros.

Para o economista Roberto Luis Troster, sócio da Integral-Trust, a manutenção da taxa indica uma preocupação exagerada do Copom com a inflação. "Os indicadores do emprego, do crédito e da produção, todos no campo negativo, justificam o corte dos juros básicos. Essa preocupação com a inflação é infundada", avaliou o ex-economista-chefe da Federação dos Bancos (Febraban).

O debate em relação a inflação fica claro na nota da autoridade monetária, que justifica sua decisão destacando que o "comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação com vistas a definir tempestivamente os próximos passos de sua estratégia de política monetária".

Na avaliação de Troster, havia espaço para um corte de 0,25 ponto percentual e, após essa primeira redução, o início de uma série de ajustes para baixo. "Essa redução ficará mais clara quando for divulgado o PIB do quarto trimestre de 2008, que indicará o impacto real da crise sobre a economia brasileira", disse Roberto.

Arte/US

 

Nem mesmo uma preocupação com a volatilidade do dólar nas últimas semanas justifica a decisão do Copom. Pelo menos essa é a posição de Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). "Não há sentido nessa afirmação que o câmbio, hoje, já pressionado, sofreria uma maior pressão no caso de um corte dos juros básicos. O fato é que o cenário negativo fica mais complicado com a Selic alta", explicou Solimeo. 

Para o economista, os efeitos da crise global, principalmente a retração na oferta de crédito, que atinge empresários e consumidores, daria margem para um corte de 0,25 ponto percentual ou até maior. "Os dados negativos estão ai. Os juros elevados dificultam ainda mais a captação de crédito e, como cosenquencia, a produção e o consumo", informou Solimeo.

PIB ajudou na decisão 

A decisão dos membros do Copom ganhou força após o crescimento de 6,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre de 2008, ainda sem os efeitos da desacelaração econômica. O número elevado permitiu adiar uma redução da Selic para a próxima reunião, marcada para fevereiro de 2009. 

Neste próximo encontro, o Copom deve avaliar o PIB do quarto trimestre de 2008, que já trará os efeitos da crise, e dados relacionados a geração de empregos e ao custo do crédito. Esse quadro pode levar ao corte da taxa básica de juros.

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