Vários membros do comitê de política monetária do Banco do Japão (BOJ, banco central do país) enfatizaram a necessidade de conquistar a confiança dos mercados nas políticas fiscal e monetária japonesas, segundo a ata da reunião do comitê no mês passado, quando foi decidida a manutenção da taxa básica de juros em 0,1% ao ano. A observação foi feita num momento em que crescem as preocupações sobre a sustentabilidade da imensa dívida pública do país.

As declarações dos membros do comitê sublinham o quanto o banco vai resistir aos pedidos para tomar medidas radicais de ajuda à economia - como um forte aumento no montante de bônus que ele compra do governo. O BOJ não quer dar ao mercado a impressão de que está disposto a usar a política monetária para ajudar o governo a recuperar o equilíbrio fiscal. Alguns políticos japoneses ultimamente vêm pedindo uma meta de inflação para orientar a política monetária, algo que provavelmente obrigaria o BOJ a adotar mais medidas de alívio para fazer o Japão sair rapidamente da deflação

"Alguns membros manifestaram a opinião de que para que determinados países - incluindo o Japão, cuja situação fiscal é grave - possam conduzir medidas apropriadas e ao mesmo tempo assegurar a estabilidade do mercado, tornou-se mais importante manter a confiança dos mercados na condução tanto da política fiscal quanto da política monetária", de acordo com um resumo das discussões da reunião de 25 e 26 de janeiro.

Com a dívida do Japão num nível recorde e com a expectativa de que ela continue a crescer, existe a preocupação no mercado de que as taxas de juros subam fortemente se aumentar o pessimismo acerca da capacidade do governo de manter o serviço da dívida. Horas depois do fim da reunião do comitê, a agência de classificação de risco Standard & Poor's reduziu a perspectiva do rating AA da dívida soberana do Japão de estável para negativa, dizendo que o novo governo não está ajustando as finanças do país tão rapidamente como se esperava.

Os operadores também temem que o banco central japonês seja pressionado a suportar uma carga maior dessa dívida, algo que poderia incentivar o governo a ampliar seu déficit. O BOJ atualmente compra das instituições financeiras, a cada mês, o equivalente a 1,8 trilhão de ienes (US$ 19,795 bi) de bônus do governo (JGB, na sigla em inglês), para aumentar a liquidez do mercado. O presidente do banco central, Masaaki Shirakawa, tem dito que este é um nível apropriado, sugerindo que não quer que o montante seja aumentado. As informações são da Dow Jones.

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