Diante da persistente crise de confiança no mercado global, investidores no Brasil reforçaram posições defensivas em câmbio, num movimento que amparou novo salto das cotações do dólar e motivou o Banco Central a fazer dois leilões de câmbio. Mesmo assim, as cotações no mercado à vista não tiveram alívio e o dólar comercial fechou o dia na taxa máxima, de R$ 2,312, alta de 5,09%.

É o valor mais alto do dólar desde 31 de maio de 2006, quando fechou a R$ 2,323.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar negociado nos contratos de liquidação à vista também fechou na máxima, a R$ 2,312, alta de 4,85%. O volume de negócios somava cerca de US$ 2,9 bilhões por volta das 16h30. O dólar comercial subiu hoje pelo quarto dia consecutivo (há uma semana estava em R$ 1,902) e já acumula no mês de outubro uma valorização de 21,56%. Em 2008, a apreciação da moeda americana ante o real atinge 30,25%.

Pela manhã, na primeira intervenção do dia, o BC vendeu 27,4 mil contratos de swap cambial (em que assume posição vendida em câmbio e comprada em juros), equivalentes a US$ 1,37 bilhão ou 59% da oferta total de até 46,050 mil contratos com dois vencimentos. E à tarde, a autoridade monetária vendeu mais US$ 700 milhões em espécie, de uma oferta de US$ 1 bilhão, com compromisso de recompra da moeda no dia 7 de janeiro de 2009. Neste caso, segundo o comunicado do BC, os dólares foram vendidos para cinco bancos com taxa de R$ 2,30 e taxa máxima de recompra pelo BC em janeiro de 2009 será de R$ 2,347465.

Segundo um operador de um banco estrangeiro, o BC vendeu apenas parcialmente a oferta de contratos de swap cambial porque a negociação não envolve dinheiro em espécie e sim contratos de derivativos, que são ajustados diariamente, e o mercado deseja liquidez imediata. Além disso, as taxas de swap negociadas pelo BC foram consideradas relativamente altas por algumas instituições, desestimulando a compra.

No caso do leilão de venda de dólar com recompra, à tarde, a venda também não foi integral, mas de apenas 70% da oferta. A mesma fonte desse banco estrangeiro disse que a instituição participante do leilão e que adquirir os dólares, poderá usar essa linha para financiar exportadores através de contratos de ACC (Adiantamento de Contratos de Câmbio). Porém, de acordo com um operador de um grande banco nacional, essa linha de dólares com recompra não é específica para exportadores, mas tende a atender muito mais a investidores interessados em fazer remessas de recursos ao exterior. "O custo dessa linha para o exportador é muito elevado, talvez isso justifique o desinteresse e a venda parcial da oferta pelo BC", explicou.

"A expectativa de uma eventual ação conjunta dos bancos centrais dos países desenvolvidos para cortar os juros a fim de estimular a economia, as fortes perdas registradas pelas bolsas globais e o temor em relação à situação de liquidez de pequenos bancos no Brasil justificaram os ajustes de posições e a manutenção da cautela no câmbio", disse um operador.

No mercado futuro de dólar da BM&F, o contrato mais negociado, de novembro de 2008, voltou a bater à tarde, pelo segundo dia consecutivo, o limite de alta, hoje de R$ 2,3235 (+6%).

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