O Banco Central (BC) anunciou ontem à noite mais uma medida para tentar aliviar a falta de dinheiro disponível no sistema financeiro. Os principais beneficiados devem ser os bancos pequenos e médios, que têm enfrentado graves problemas para captar recursos no mercado.

Em comunicado divulgado às 22 horas, a autoridade monetária informou que bancos que adquirirem carteiras de crédito de outras instituições terão redução do depósito compulsório. A medida pode liberar até R$ 23,5 bilhões para o mercado.

Essa foi a segunda decisão para tentar dar mais liquidez ao mercado financeiro em menos de 10 dias. Em 24 de setembro, o BC mudou regras do mesmo depósito compulsório e liberou R$ 13,2 bilhões aos bancos. Naquela ocasião, a medida atingia principalmente as instituições de menor porte.

A decisão de ontem deve favorecer a aquisição de carteiras de crédito de bancos pequenos pelas grandes instituições. Isso porque essas compras vão gerar abatimento de valor idêntico à carteira adquirida na forma de depósito compulsório sobre os depósitos a prazo.

O benefício do abatimento será restrito a 40% do total de compulsório que o banco comprador tem de recolher. Além disso, haverá uma gradação para o desconto e apenas instituições que adquirirem cinco carteiras de crédito terão direito ao maior abatimento possível. Esse escalonamento visa, segundo o BC, a "melhor distribuir os efeitos da medida".

No breve comunicado distribuido à imprensa, o BC informa que a medida tem como objetivo "melhorar a distribuição de recursos no sistema financeiro nacional em função das restrições de liquidez que têm sido verificadas no ambiente internacional".

Analistas citavam ontem que algumas instituições de menor porte estavam em situação delicada porque o acesso aos recursos no mercado interno estava cada vez mais difícil. Desde o início da crise, o BC tem agido pontualmente para garantir a irrigação de dinheiro ao sistema financeiro. Ninguém no governo ou no BC informa sobre que tipo de ação está sendo adotada para contornar o estrangulamento do crédito, sobretudo para pequenas e médias instituições.

A estratégia nos últimos dias, que prevalecerá até que a crise dê sinais de arrefecimento, é a de manter conversas permanentes com as instituições financeiras para a identificação dos problemas que surgem a cada dia, ditados pelo compasso de espera por uma solução para crise nos EUA.

A situação é delicada, mas a orientação é de que o momento deve ser tratado com serenidade e tranqüilidade porque o Banco Central, apesar das pressões para que garanta recursos a custos baixos, não quer agregar maior volatilidade ao mercado.

Existe a percepção de que a situação se deteriorou, embora esteja colocado, também, o alerta de que a economia brasileira está resistente. E essa resistência é atribuída ao fato de que somente após duas semanas de intensa turbulência nos mercados há sinais de maior contaminação. Ou seja, em meio a esse processo de escassez de recursos nas economias mundiais, não se consegue isolar a economia brasileira totalmente.

Nos últimos dias, o que se observou foi uma deterioração dos mercados que reagem com aversão ao risco, com a alta do dólar, a queda dos preços dos ativos e as pressões para que o Banco Central alivie, logo, a tensão. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu sinais de apreensão em relação ao desfecho da crise e sua declaração resume o estado de ânimo das autoridades.

Durante solenidade no Planalto, ele disse que precisava aguardar as decisões do presidente George W. Bush para poder tomar decisões em relação à economia brasileira. Lula disse que a situação provoca incerteza, mas não insegurança no governo. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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