BRASÍLIA - O Banco Central (BC) estima um déficit ao redor de US$ 4 bilhões para a conta corrente externa neste mês de março. Em fevereiro, o resultado foi negativo em US$ 3,251 bilhões, o pior da série apurada desde 1947.

No primeiro bimestre, a conta corrente acumula déficit de US$ 7,09 bilhões.

O investimento externo direto somou US$ 3,64 bilhões no primeiro bimestre, sendo US$ 2,85 bilhões os ingressos líquidos em fevereiro, o melhor para o mês desde 1999, que foi de US$ 4,6 bilhões. Em março até hoje entraram US$ 1,1 bilhão, devendo chegar a US$ 1,5 bilhão ao fim do mês, segundo o BC.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que " em função de dados recentes da atividade " produtiva no país é que foi reduzida a projeção para a balança comercial.

Em números divulgados hoje, a autoridade monetária reduziu o resultado esperado para as operações de comércio exterior, de US$ 15 bilhões para US$ 10 bilhões de superávit no ano. O mesmo valor esperado pelo mercado financeiro, segundo a pesquisa Focus do próprio BC.

Essa piora norteou o aumento no déficit projetado para a conta corrente, que saiu de US$ 40 bilhões para US$ 49 bilhões. Uma das pressões comuns sobre a conta corrente, as remessas de lucros e dividendos foram reavaliadas, mas com aumento inferior a 10% da projeção anterior: saíram de US$ 30,2 bilhões para US$ 32 bilhões.

Lopes esclarece que a variação ocorreu em função do fato de que com a crise mundial iniciada ao fim de 2008, as multinacionais " rasparam o tacho " enviando o que puderam para cobertura de eventuais prejuízos de suas matrizes, ano passado. Em janeiro e fevereiro, essas remessas já somam US$ 2,076 bilhões.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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