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BC emprestará US$ 20 bi a empresas com dívida externa

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje que será atendida toda a demanda das empresas brasileiras por recursos para rolagem de dívida externa. Os recursos utilizados para isso serão os das reservas internacionais acumuladas pelo BC, que vai oferecê-los para suplementar o crédito externo que foi cortado para todos os países, inclusive para o Brasil, disse Meirelles para jornalistas em Nova York.

Agência Estado |

O compromisso do BC é repor a parcela de crédito internacional que foi cortada com o agravamento da situação internacional em setembro de 2008, com a falência do Lehman Brothers. Terão acesso aos recursos qualquer empresa brasileira com dívida externa vencendo até dezembro de 2009, disse o presidente do BC em Nova York. A demanda é estimada em US$ 20 bilhões, mas Meirelles indicou que não há um limite, ao enfatizar que o compromisso é de que toda a demanda para rolagem de dívida externa será atendida pelo BC.

Os recursos das reservas internacionais do BC irão para os bancos que vão atender estas empresas. "Uma postura competitiva dos bancos oficiais deve acontecer durante o ano", acrescentou. O início destas operações está previsto para o fim deste mês. O presidente do BC estimou que, "na medida em que o BC vai oferecer linhas para suplementar o crédito externo, então a oferta total quantitativa de crédito já deve ser normalizada. Aí vamos olhar com muita atenção, e já estamos olhando, a questão dos preços. "Nesse momento, a questão competitiva é fundamental".

Com estes empréstimos direcionados, o objetivo é "mitigar e preservar a economia brasileira deste efeito da crise internacional", ponderou Meirelles, depois de fazer palestra em evento da Câmara de Comércio Brasil-EUA. "Todas as empresas brasileiras que têm empréstimo vencendo no mercado externo vão ter também acesso aos recursos das reservas, que serão aplicados em bancos que emprestarem para essas empresas, exclusivamente", afirmou.

Meirelles observou que o BC também está atendendo toda a demanda das empresas para crédito à importação e vai continuar assim. O presidente avaliou que a oferta de crédito doméstico está normalizada, mas "o preço e as condições estão muito elevados". Uma das razões importantes para isso, acrescentou ele, é que o crédito externo não está normalizado, e, portanto, "o crédito doméstico é pressionado pelas empresas que não conseguem fazer rolagem no exterior e tomam empréstimo no Brasil".

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