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Dois bilhões de moedas foram colocadas em circulação no País em 2009, número 54% maior que a produção do ano anterior e o mais expressivo desde 1993. De acordo com o Departamento do Meio Circulante (Mecir) do Banco Central, responsável pelo planejamento do fluxo de encomendas à Casa da Moeda, a demanda é crescente desde 2005, e o aumento da produção em 2009 só foi possível devido à ampliação da capacidade produtiva.

A Associação Comercial de São Paulo afirma que a medida refletiu na queda do número de reclamações em relação à falta de troco no comércio, mas pequenos estabelecimentos ainda sofrem com a ausência de moedas.

Apesar de existirem 16 bilhões de moedas no mercado, estima-se que metade delas não está em circulação. Muitas pessoas esquecem as moedas na gaveta, perdem, deixam no cofrinho e não têm o costume de carregar um porta-moedas. São essas pessoas que o Banco Central busca conscientizar. "Existem duas vertentes. Não adianta só produzir, temos que educar a população", destaca o chefe do departamento do BC, João Figueiredo Filho.

É a mesma opinião do vice-presidente da Associação Comercial, Roberto Mateus Ordine. "A própria população resiste em fazer circular moedas. Guardar dinheiro no cofrinho é uma forma de poupar, mas é preciso estabelecer um prazo para que o dinheiro não fique guardado muito tempo", defende. Segundo Ordine, a entrada de mais moedas no mercado apresentou resultados positivos em relação ao problema da falta de troco e que, no geral, o comércio consegue se adaptar. Algumas lojas oferecem descontos em caso de pagamento total com moedas.

O atendente da banca de jornais no Bairro da Liberdade, Cícero Batista de Moura, conta que costuma fazer reserva de moedas. Ao contrário de alguns comerciantes que se desfazem das unidades no banco, ele se preocupa em guardá-las. Com essa medida e com a ajuda dos clientes, a banca dificilmente registra a falta de troco. Na Padaria Tupinambá, o sócio Manoel de Pinho relata que consegue as moedas nos bancos porque são poucos os clientes que pagam com o valor trocado.

Já o caixa da lanchonete Kantinho do Pão de Queijo, Fernando Viana Batista, precisa contar com a ajuda dos amigos comerciantes para não ficar sem moedas. O proprietário da Quitanda Luis Gois, Eduardo Yoshio Shirakawa, também enfrenta o mesmo problema. Muitos clientes guardam as moedas em casa e trocam apenas no fim do ano. Por isso, ele sugere que essa troca seja feita na quitanda em vez de as pessoas recorrerem aos bancos.

Em 2009, a moeda mais produzida foi a de R$ 1, seguida pelas de R$ 0,10 e R$ 0,05, que juntas representam 67%. Para 2010, a intenção é manter a produção de 2009, mas vai depender da demanda e de avaliações feitas pelo BC.

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