SÃO PAULO - O Banco Central (BC) convocou o diretor superintendente da Cetip, Jorge Sant´Anna, para uma reunião na sexta-feira no final da tarde para tentar dimensionar o tamanho da exposição das empresas brasileiras ao dólar por meio de derivativos. O mercado todo tenta estimar a posição líquida vendida das empresas em dólar - comprada em reais, apostando em seu fortalecimento - e quais seriam as perdas com a puxada na moeda americana.

A idéia é tentar avaliar qual seria o impacto da crise no sistema financeiro brasileiro.

Como é impossível medir exatamente a dimensão do problema, os mais diferentes tipos de rumores têm se espalhado pelo mercado. É importante lembrar que os contratos de maior valor são registrados fora do país, entre as empresas e as subsidiárias dos bancos nas Ilhas Cayman ou em Bahamas, o que torna o cálculo mais difícil.

Especialista lembra que as mais complexas estruturas de derivativos cambiais fechadas entre os bancos para as empresas sempre acaba refletindo na BM & FBovespa. Os bancos fecham contratos sob medida para as empresas, assumindo posições compradas nos contratos de balcão no mercado interno brasileiro ou externo, em Cayman ou Bahmas, e depois vendem o dólar futuro na BM & F nos mercados de dólar, DDI (cupom cambial, os juros em dólar no mercado interno) e opções, que têm bastante liquidez. Por isso, olhar as posições vendidas das instituições financeiras na BM & F poderia ser uma pista.

Os números no Boletim da BM & F do dia 16 de outubro mostram posições em aberto líquidas vendidas em dólar totais de US$ 32 bilhões das pessoas jurídicas financeiras, segundo cálculo feito pelo Valor.

Desse total podem ser retiradas as posições compradas dos bancos no mercado à vista, que, segundo Sidnei Nehme, sócio-diretor da NGO Corretora de Câmbio, eram de US$ 8,253 bilhões no dia 8 de outubro último. As posições vendidas líquidas dos bancos em câmbio seriam de US$ 24 bilhões no mercado futuro. Grande parte disso ou até um pouco mais poderia ser o repasse das posições vendidas das empresas. Há ainda as posições vendidas em aberto das próprias empresas na BM & F, de cerca de US$ 1 bilhão no dia 14, o que totalizaria US$ 25 bilhões.

Mas os US$ 25 bilhões não são o total das perdas. Esse número seria uma estimativa do total das posições vendidas líquidas, no mundo dos derivativos chamado de " nocional " . As perdas seriam um percentual, difícil de calcular, desse total. Tudo depende da cotação usada para por cada uma das empresas para vender o dólar em cada um dos instrumentos. Considerando-se uma perda de 40% do total dessa exposição, ela não passaria os US$ 10 bilhões, ou 0,77% do Produto Interno Bruto brasileiro. E os 40% parecem exagerados. As perdas só do " subprime " foram mais de 10% do PIB americano.

No mercado interno, cerca de 85% do mercado de balcão de derivativos - contratos entre duas partes - é obrigatoriamente registrado na Cetip. Há um total de cerca de R$ 60 bilhões em posições vendidas em dólar de clientes empresas com bancos e de R$ 20 bilhões comprada, com saldo vendido de R$ 40 bilhões. Esses contratos na Cetip mostram a exposição principalmente das empresas médias.

(Cristiane Perini Lucchesi | Valor Econômico)

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