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BC atua, mas dólar retoma patamar de R$ 2,30

SÃO PAULO - A moeda norte-americana fechou a terça-feira em alta ante o real. Ao contrário do observado ontem, a atuação do Banco Central no mercado à vista acabou estimulando as compras no final do pregão e o dólar firmou posição acima de R$ 2,30.

Valor Online |

Ao final da jornada, a divisa norte-americana era negociada a R$ 2,325 na compra e R$ 2,327 na venda, alta de 1,35%.

Além da intervenção no segmento à vista, o BC colocou US$ 500 milhões no mercado via leilão de venda com compromisso de recompra (leilão de linha). E dois minutos antes do fechamento do mercado, anunciou que fará, amanhã, leilão de venda de dólares com compromisso de recompra, combinado com a obrigação de repasse dos recursos em linhas de Adiantamento sobre Contratos de Câmbio (ACC) e Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE) - instrumentos utilizados para financiar exportações.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda teve valorização de 1,33%, fechando a R$ 2,3265. O giro financeiro somou US$ 353,5 milhões. O giro interbancário foi forte, somando US$ 3,4 bilhões.

Segundo o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues, dificilmente o dólar deve firmar posição abaixo dos R$ 2,3 em 2009. Pela análise do especialista, os três principais propulsores de dólares no país nos últimos 10 anos estão com sérios problemas em função da crise internacional.

O primeiro ponto é a balança comercial que começa a ficar deficitária. De acordo com Rodrigues, o exportador perde vendas em função da menor demanda externa e, apesar da taxa atrativa, o preço das mercadorias vendidas caiu de forma acentuada.

O segundo ponto é o investimento estrangeiro direto. O especialista aponta que tem uma quebra nos investimentos produtivos que estavam previstos para os próximos anos, ou seja, esses dólares não entrarão no mercado. Como exemplo, o diretor cita um projeto da Rio Tinto que previa US$ 2,5 bilhões em três anos e que foi postergado.

E o terceiro é o investimento estrangeiro indireto, com os agentes de mercado mostrando menor apetite pelos ativos financeiros brasileiros. "O mercado se questiona sobre onde estão as entradas. Não vejo muita da chance de a moeda voltar e ficar abaixo de R$ 2,30", resume.

Voltando o foco para o mercado futuro, Rodrigues avalia que o aumento das posições compradas (apostas contra o real) não é unicamente especulativo.

De acordo com o especialista, alguns investidores que tinham posição em renda fixa enviaram parte do seu dinheiro para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e fizeram hedge (proteção) das operações com dólar futuro. Vale lembrar que as posições compradas começaram a semana em US$ 13,9 bilhões.

No mercado externo, o dólar norte-americano ganhou terreno sobre algumas das principais moedas, depois que o Departamento de Comércio dos EUA anunciou uma queda de 29% no déficit comercial de novembro, que somou R$ 40,4 bilhões.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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