Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

BB quer massificar hedge agrícola para garantir renda ao agronegócio

BRASÍLIA - O cenário antagônico de escassez mundial versus recordes sucessivos na produção agrícola brasileira merece planejamento de longo prazo, acredita o vice-presidente de Agronegócio do Banco do Brasil (BB), Luiz Carlos Guedes Pinto. Uma das metas é aproveitar a onda de preços em alta e ampliar a proteção à renda do produtor rural.

Valor Online |

Guedes anunciou hoje que o banco montou uma estratégia de massificação das operações de seguro (hedge) para travar preços no mercado futuro (opções e futuro de commodities). O objetivo para a safra 2008/09 é mais que dobrar o valor dos contratos na safra passada, de R$ 350 milhões, e chegar a R$ 750 milhões. O foco será a soja pela produção e liquidez maiores.

Ex-ministro da Agricultura e engenheiro agrônomo, Guedes explica que é preciso acabar com o comportamento crônico que ataca o produtor rural e, por tabela, o BB como principal agente financiador do setor. Não podemos deixar perpetuar esses ciclos de crise e euforia, afirmou, referindo-se às oscilações de preços que historicamente têm gerado mais perdas do que ganhos ao agronegócio, com também infindáveis renegociações de crédito.

O diretor de Agronegócio do BB, José Carlos Vaz, explicou que as travas de preços no mercado futuro têm crescido uma média de 15% a cada safra, o que ele acha pouco. Temos cerca de 700 funcionários em treinamento intensivo para, ao invés de esperar atrás do balcão, ir em busca da demanda, informou. Estamos recomendando e incentivando.

Segundo Vaz, mesmo diante de uma tradição de décadas de uso do mercado futuro por americanos e europeus, não dá para falar de atraso da área rural brasileira, embora ele admita haver um problema cultural severo.

Temos um problema cultural, é verdade, mas não se pode esquecer os anos negros de instabilidade econômica, e que só há cerca de quatro anos se verifica uma internacionalização, de fato, do nosso agronegócio. Para ele, a BM & F e o agronegócio brasileiros são vanguarda entre os países de agricultura tropical.

Pela limitação cultural, o diretor do BB diz que a orientação é para seus técnicos convidarem o produtor a fazer contratos de opção sobre futuro de commodities, onde se fixa um valor para a soja de maio de 2009, por exemplo. Se o preço for menor, o banco cobre a diferença; se for maior, o produtor vende a quem quiser.

Segundo ele, a opção é mais fácil de o produtor entender e com menos risco, pois o contrato futuro depende de acompanhamento e especialização. Na venda ou compra futura de commodities agrícolas, o produtor paga ou ganha as diferenças diárias (ajustes) do preço apostado. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) é possível fazer hedge de soja, boi, milho, café e algodão.

O Brasil tem condições de pensar as perspectivas da agricultura no longo prazo, por sua posição privilegiada de superprodutor diante de uma demanda por alimentos nunca vista, disse Guedes, ao lembrar que só a demanda da China por soja triplicou.

O vice-diretor disse ainda que o governo quer estimular o incremento do seguro agrícola subsidiado, cujo valor garantido por propriedade subiu de R$ 1,2 milhão para R$ 1,5 milhão. Na última safra, cerca de 51,2% dos recursos de custeio liberados pelo BB estava segurados (R$ 2 bilhões pelo seguro agrícola e R$ 4,3 bilhões pelo Proagro).

Ele informou também que o governo de Minas Gerais seguiu o de São Paulo e vai garantir 25% do custo (prêmio) do seguro, de forma que o agricultor arcará com apenas 25%, já que o governo federal subsidia 50%. Outros Estados estão querendo acompanhar essa boa iniciativa, disse o executivo do BB.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

Leia tudo sobre: agriculturacréditocrédito agrícola

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG