O Banco do Brasil deu mais um importante passo no plano de reforçar sua atuação na área de seguros. Ontem, o banco anunciou que está conversando com o governo federal para a compra do controle acionário do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) - líder isolado entre as empresas responsáveis por contratos de seguro para as próprias seguradoras.

O controle do governo é exercido com 50% do capital do IRB, que tem cerca de 70% do mercado de resseguros no Brasil.

Em comunicado aos investidores, o BB informou que o negócio dará "prosseguimento ao processo de reorganização" da área de seguros do banco e tem como objetivo "buscar complementaridade nas operações das suas seguradoras". Na semana passada, o BB anunciou parceria com a espanhola Mapfre para tentar chegar à liderança do setor de seguros. Por enquanto, não há valor oficial para o negócio com o IRB.

O resseguro é uma atividade pouco explorada pelo capital privado no Brasil. Instrumento usado por seguradoras para dividir riscos e também por grandes clientes, em operações como proteção de plataformas de petróleo e indústrias, o ramo era monopólio da União até o ano passado.

Desde então, o setor experimenta uma lenta abertura porque a ação dos concorrentes ainda é pequena se comparada à participação da estatal.

"O IRB é muito grande e, como já atuava no setor, tem muita facilidade em renovar os contratos com seus clientes", diz o analista do setor de seguros do Banco Fator Iago Whately. No mercado, há expectativa que a participação das empresas privadas deve crescer gradativamente, já que as grandes companhias internacionais atuam em resseguros em outros países.

Antes que ocorra essa esperada abertura, o BB quer ficar com grande parte do IRB. A companhia é o maior grupo ressegurador da América Latina com R$ 10,4 bilhões em ativos. Se concretizada, a compra poderia aumentar em 45% a receita obtida com os prêmios, os pagamento feito pelos clientes quando fazem um contrato de seguro. Nos sete primeiros meses deste ano, o IRB arrecadou R$ 1,8 bilhão e o BB Seguros e a parceira Mapfre tiveram receita de R$ 4 bilhões.

No governo e no banco federal, a avaliação é que as eventuais dificuldades dessa negociação tendem a ser minimizadas já que o Tesouro Nacional é sócio do IRB e também do BB. Há, ainda, apoio por parte do Executivo ao fortalecimento do banco federal. A União tem metade do capital da resseguradora, sendo 100%das ações ordinárias - as que dão direito a voto.

Se o negócio for fechado, é possível que o banco reorganize a composição acionária do IRB. Segundo fonte do Ministério da Fazenda que acompanha as negociações, não está descartada uma futura gestão compartilhada da companhia entre o BB e um sócio privado. A etapa depende da criação de um modelo a ser costurado pelo Tesouro e o banco.

O modelo compartilhado de administração está sendo perseguido pelo BB nas novas operações, como no Banco Votorantim e na reorganização das seguradoras. Esse tipo de administração dá agilidade de uma empresa privada ao negócio e geraria musculatura para a resseguradora e poderia dar acesso a novos mercados, sobretudo na América Latina.

Hoje, 50% do IRB já está na mão de investidores privados. O Bradesco, por exemplo, tem 21% do capital total. Após ser informado do possível negócio do BB, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, disse que a instituição privada pretende manter a participação que possui no IRB.

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