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BB e CEF podem comprar bancos com problemas pela crise

Brasília, 22 out (EFE).- O Governo Federal anunciou hoje medidas para conter o contágio da crise financeira mundial, autorizando o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF) a comprar outras entidades bancárias e empresas imobiliárias com problemas.

EFE |

As medidas "preventivas" foram detalhadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que reconheceu que a crise ameaça um segmento do sistema financeiro e o imobiliário.

"O fato de o sistema financeiro brasileiro ser sólido não o exime de ter problemas de liquidez", argumentou.

"A situação está tranqüila, estamos criando outra alternativa absolutamente normal para os bancos que queiram vender uma parte de seu controle acionário", disse.

Até há poucos dias, tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o próprio Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, insistiam que o Brasil não seria alcançado pela crise.

O decreto publicado hoje no Diário Oficial autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a comprar bancos pequenos e médios com problemas de liquidez devido à paralisação dos fluxos financeiros, declarou Mantega.

"Não há banco quebrado", apressou-se a afirmar Mantega para evitar outras interpretações em um mercado financeiro que hoje vive novas quedas na bolsa de São Paulo e forte alta do dólar.

As compras de ações, bolsas de crédito ou das entidades completas poderão ser feitas sem licitações, segundo o decreto oficial.

As quedas do Banco do Brasil se aceleraram na bolsa depois das declarações oficiais, pois os operadores interpretaram que os grandes bancos privados não têm liquidez suficiente para ajudar os pequenos, pelo que o Governo precisou encarregar as instituições do Estado.

Mantega evitou usar a palavra "nacionalização", tão em voga por estes dias nos países desenvolvidos imersos no núcleo da crise.

Esclareceu que se trata de uma medida temporária, que poderá ser revertida quando passar a crise e que as instituições ou seus ativos serão adquiridos em condições de mercado.

"Não é algo permanente, após compradas as instituições, restabelecido o crédito e a liquidez na economia, essas instituições poderão ser revendidas", explicou.

Insistiu que se trata de um problema de liquidez "localizado" em alguns bancos pequenos e médios.

Nos últimos dias, o Banco Central flexibilizou suas exigências para o sistema financeiro, ao liberar o depósito compulsório legal e outras garantias de depósitos do público e autorizar vendas de bolsas de crédito entre as próprias instituições.

"Estamos dando mais um passo nessa direção. Agora os bancos públicos poderão comprar a instituição financeira", com o que aumenta a concorrência, afirmou.

Na bolsa paulista, as empresas bancárias e financeiras encaixaram fortes perdas nas últimas semanas, em alguns casos muito superiores às do índice Ibovespa.

Os bancos pequenos e médios e regionais são os mais golpeados. Um estudo da empresa de consultoria Economática obtido entre 40 instituições revela que o rastro de perdas se intensificou desde 15 de setembro.

Desde 20 de maio, quando o Ibovespa marcou um histórico de 73.516 pontos, até ontem, o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), por exemplo, perdeu 79% de seu valor, o Pan-americano outros 67% e o Bicbanco 69%.

Os gigantes financeiros perderam menos, com as ações ordinárias do Santander Brasil caindo 41%, as do Unibanco 47%, as do Itaú 34% e as do Bradesco 36%.

Segundo Mantega, "as ações dos bancos são sólidas, mas algumas poderão ter dificuldades".

"No Brasil não compramos títulos podres", disse ao negar a existência de papéis de alto risco como os "subprime" que desencadearam a crise nos Estados Unidos.

O Governo também autorizou à Caixa a comprar participações em empresas construtoras e imobiliárias com crise de liquidez.

Também foi autorizada, de maneira "preventiva", a troca de contratos de compra de divisas conversíveis entre o Banco Central do Brasil e seus pares em outros países, um sistema similar ao usado pelo Federal Reserve dos EUA. EFE ol/jp

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