No cenário de maior concentração e concorrência bancária agravado pela crise financeira internacional, o Banco do Brasil (BB), principal agente financiador do agronegócio, cobra a reformulação da política de crédito agrícola e o fim das sucessivas renegociações e prorrogações das dívidas rurais. O BB sofre com as prorrogações porque tem de aumentar no balanço o provisionamento para créditos de liquidação duvidosa.

O vice-presidente de agronegócios do BB, Luis Carlos Guedes Pinto, reconheceu que o sistema de financiamento atual, altamente dependente de um único agente financeiro, não “convém” ao BB, que é um banco comercial, com capital aberto e tem de prestar contas aos seus acionistas. “Como temos tido essa série de prorrogações, o risco do produtor rural se agrava. Com o agravamento do risco da operação, o custo para o agente financeiro é muito maior. As provisões do BB aumentaram muito nos últimos anos.”

Há duas semanas, Guedes Pinto lançou, em encontro na Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), uma proposta de reformulação do atual modelo de refinanciamento agrícola. Ontem, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, apoiou a reformulação do sistema, mas disse que não há definição sobre as medidas. “Elas estão sendo examinadas. Ainda não é possível dizer se são factíveis ou não.” A idéia é que as propostas sejam submetidas ao governo no início de 2009. Além do BB, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também estuda alternativas ante a crise global, que impôs uma nova realidade ao agronegócio brasileiro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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