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Os bancos das montadoras vão receber R$ 4 bilhões do Banco do Brasil para financiar a compra de carros aos consumidores. A medida será confirmada hoje pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Terça-feira, a Nossa Caixa também deve anunciar participação no programa, informou o governador de São Paulo, José Serra.

Com a verba extra que será disponibilizada entre este mês e dezembro, as instituições pretendem voltar a oferecer juros mais baixos e prazos mais longos de crediário para recuperar as vendas de veículos. No mês passado, os negócios caíram 11% na comparação com setembro.

Diante da retração, montadoras anteciparam férias coletivas de fim de ano. A General Motors anunciou um programa de demissão voluntária em duas fábricas.

A ajuda dos bancos estatais vinha sendo negociada entre montadoras e governo desde o dia 30. Naquela data, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da abertura do Salão Internacional do Automóvel, em São Paulo, e prometeu maior participação do BB e da Caixa Econômica Federal no financiamento de veículos para ampliar a oferta de crédito, atualmente escasso por causa da crise internacional.

Com a linha especial destinada à venda de carros novos e usados, as montadoras calculam que terão fôlego para irrigar o crediário pelo menos por dois a três meses, quando esperam que a crise já tenha dado trégua. Cada instituição negociará o empréstimo diretamente com o BB, em condições similares às de mercado. Parte da verba virá do empréstimo compulsório retido pelo banco.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, afirmou que algumas das medidas já anunciadas pelo governo, como a nova forma de recolhimento do compulsório sobre depósitos a prazo, começam a ter efeitos. "A oferta de crédito começou a voltar, mas ainda é insuficiente para manter o ritmo de financiamento que tínhamos antes", disse ele, que apenas confirmou as negociações com Mantega.

Segundo a Anfavea, cerca de 70% das vendas de veículos no País são financiadas. Antes da crise internacional, os bancos ofereciam planos de até 72 meses, sem pagamento de entrada. As vendas passaram a bater sucessivos recordes mensais, situação interrompida em outubro, quando os negócios registraram queda de 2,1% ante o mesmo mês de 2007, para 239,2 mil veículos.

Nas últimas semanas, além de os juros terem aumentado entre 20% e 30%, os prazos de financiamento caíram para a média de 36 a 42 meses e os bancos passaram a exigir até 50% do valor do carro como entrada.

Inicialmente, Lula e Mantega falaram da participação da Caixa Econômica Federal na criação de linhas para o financiamento de carros, mas o acerto feito ontem não inclui essa instituição.