Brasília, 7 - O vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil (BB), Luis Carlos Guedes Pinto, disse hoje que 80% dos recursos que serão liberados pelo banco para o crédito rural na safra 2008/09 terão juros controlados de 6,75% ao ano. O restante será liberado com taxa livre, que varia entre 12,5% ao ano a 17% ao ano.

Nesta safra 2008/09, o Banco do Brasil vai liberar R$ 30,8 bilhões para operações em crédito rural, o que representa incremento de 25% em relação à safra anterior, quando o valor contratado em crédito rural ficou em R$ 24,7 bilhões.

Guedes Pinto acrescentou que, além do aumento na oferta de crédito para a safra, o governo elevou o porcentual de liberação de recursos a taxas controladas. Ao divulgar hoje os números para a safra 2008/09, ele recomendou que os produtores encaminhem as propostas de financiamento aos bancos o mais rápido possível.

O diretor de Agronegócios do BB, José Carlos Vaz, afirmou que 70% das liberações para a safra ocorrem entre os meses de agosto e 15 de dezembro e que, por ano, o banco fecha 1,5 milhão de contratos. "Como precisamos avaliar a situação de cada produtor, a recomendação é para que os documentos sejam entregues o mais rápido possível", diz Vaz.

Guedes Pinto, que já foi ministro da Agricultura, observou que os produtores que renegociarem suas dívidas com base nas regras da Medida Provisória (MP) 432, que tramita no Congresso Nacional, não terão direito a um novo contrato de investimento. No caso do custeio, a avaliação será feita de acordo com a capacidade de pagamento do produtor.

Para a liberação do crédito, o banco decidiu que a partir de agosto vai receber as propostas pela internet, na pagina da instituição. Também pela internet, o produtor poderá acompanhar o pedido, disse ele.

Renegociação

No caso da renegociação prevista na MP 432, o prazo para que o produtor procure outros bancos para pedir a renegociação termina no dia 30 de setembro. No caso da dívida de custeio, o prazo termina no dia 15 de agosto, disse Guedes Pinto. Segundo ele, o banco não tem nenhuma medida específica para estimular os produtos considerados "sensíveis" pelo governo. São eles: arroz, feijão, milho e trigo.

"Os clientes do banco são predominantemente produtores de grãos e de leite, por isso, esses produtos serão atendidos apesar de não haver uma política específica", comentou Vaz. Guedes Pinto foi ainda mais enfático: "todo mundo que procurou o banco no ano passado foi atendido".

Segundo Guedes Pinto, a carteira agrícola do BB soma R$ 62 bilhões e a inadimplência nesse segmento é inferior a 2,5%. De acordo com o vice-presidente, em 2006 a inadimplência era de 7%, porcentual que vem sendo reduzido a cada ano, em virtude da recuperação da renda agrícola.

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