O processo de privatização de aeroportos brasileiros, com o modelo de concessão em fase de estudo na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pode deixar de ser um bom negócio na área de infraestrutura para se transformar em uma das grandes batalhas políticas deste ano. Os funcionários da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), a estatal de administração aeroportuária, começaram a entrar no debate e acusam o governo Lula de tratar a privatização com o interesse político de apenas agradar ao governador aliado do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

Metade dos aeroportos brasileiros opera no vermelho. Do total de 67 aeroportos administrados pela Infraero, só 33 são superavitários. Contabilizados os recursos investidos em cada um ao longo dos últimos dez anos (1988-2007), no entanto, a lista dos que apresentam resultado positivo no período, a ponto de o lucro cobrir os investimentos realizados, encolhe para 12. Os três mais lucrativos do País ficam em São Paulo: Guarulhos e Congonhas, na capital e Viracopos, em Campinas.

Os dados foram reunidos pela Associação Nacional dos Funcionários da Infraero (Anei). Para o presidente da associação, Carlos Eduardo Campos, a venda não se justifica porque, em primeiro lugar, a Infraero não é uma empresa deficitária e tem dinheiro para investir - ao contrário das estatais de telecomunicações, privatizadas na gestão Fernando Henrique (1995-2002) porque o governo não tinha mais como investir no seu crescimento e elas haviam se tornado caras demais para os cofres públicos. “Não se trata de empresa (a Infraero) que esteja onerando o Tesouro Nacional. Há uma pressa injustificável (no processo)”, diz Campos, referindo-se à decisão já tomada de privatizar os aeroportos do Galeão e de Viracopos.

Na avaliação do presidente da Anei, o governador Sérgio Cabral “quer porque quer entregar o aeroporto do Galeão a uma determinada empresa estatal estrangeira”. E, acrescenta, o presidente Lula “vai entregar também Viracopos à mesma empresa que pegar o Galeão para não aparentar que se dobrou aos anseios do governador do Rio”.

Eduardo Campos diz que a venda apenas dos aeroportos lucrativos só serve para sucatear a Infraero, além de atender ao interesse das empresas privadas e estatais europeias que, “entusiasmadas com os resultados em seus países de origem”, querem “conquistar o mercado latino-americano”.

Quatro grandes construtoras brasileiras - Camargo Corrêa, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão -, além de empresas da França (Aeroports de Paris), Alemanha (Fraport), da Espanha (Ferrovial, Aena e OHL) e da Argentina (Aeropuertos 2000), já manifestaram interesse em participar do processo de privatização de aeroportos brasileiros. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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