Bruxelas, 7 jan (EFE).- O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, considerou hoje inaceitável que Rússia e Ucrânia utilizem o fornecimento de gás à UE como refém em suas negociações bilaterais e exigiu a ambos os países seu restabelecimento imediato.

Barroso falou hoje por telefone com os primeiros-ministros russo, Vladimir Putin, e ucraniana, Yulia Timoshenko, para cobrar-lhes esta postura e afirmar que estão perdendo sua reputação como parceiros confiáveis, informou a porta-voz comunitária Pia Ahrenkilde, em entrevista coletiva.

A CE insiste em que Rússia e Ucrânia devem encontrar "uma solução estável e de longo prazo" para garantir o fornecimento à União.

O comissário europeu de Energia, Andris Piebalgs, se reunirá amanhã em Bruxelas com o presidente da Gazprom, Alexei Miller.

Para sexta-feira, está prevista uma reunião do Grupo de Coordenação do Gás, que inclui analistas dos 27 países-membros da UE, do setor energético e da própria CE, da qual participarão representantes das companhias estatais de gás da Rússia e da Ucrânia (Gazprom e Naftogaz).

A Presidência tcheca da União Européia advertiu hoje à Rússia e Ucrânia que se não retomarem o fornecimento antes de amanhã tomaria "medidas mais severas".

Segundo o porta-voz comunitário de Energia, Ferrán Tarradellas, uma das medidas que poderia tomar a UE seria o envio de observadores para controlar o fluxo de gás para a Europa, algo que foi bem recebido pelo presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko.

A crise, que começou no dia 1º por falta de acordo entre Rússia e Ucrânia pelo preço do gás e as tarifas de passagem por território ucraniano para este ano, já afetou vários países do centro e do leste da Europa, a maioria membros da UE.

A Bulgária ao depender 100% das importações de gás russo foi o mais afetado, confirmou Tarradellas.

Romênia e Hungria também foram prejudicadas e a Eslováquia já tomou medidas de emergência.

Outros países, que também se abastecem de gás russo, como a República Tcheca, Eslovênia, Polônia, Grécia, Itália, Sérvia e Bósnia, estão buscando vias alternativas para compensar o corte do bombeamento da Rússia. EFE mrn/jp

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