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SÃO PAULO - A piora do cenário geopolítico entre Rússia e Geórgia, bem como a depreciação do dólar frente ao euro, conduziram os preços do petróleo para um aumento de mais de US$ 5 por barril. Os agentes temem que o governo russo, segundo maior produtor de petróleo no mundo, interrompa o fluxo de óleo cru na região, como forma de demonstrar poder não só em relação a Geórgia mas a outros países.

O contrato de WTI negociado para o mês de outubro em Nova York fechou a US$ 121,18, com alta de US$ 5,62. O vencimento para o mês seguinte avançou US$ 5,69, para US$ 121,72. Em Londres, o barril de Brent para outubro terminou valendo US$ 120,16, com aumento de US$ 5,80. O contrato para novembro registrou alta de US$ 5,74 e foi vendido a US$ 121,47 no final do pregão.

Além disso, os preços do petróleo e de metais ganharam valor hoje no mercado futuro, devido à desvalorização da moeda americana em relação a outras divisas, sobretudo o euro. O comportamento do dólar tem sido um orientador importante para as cotações do petróleo e justificou anteriormente a forte elevação do produto. Quando a moeda cai de preço, os agentes procuram ganhos e proteção contra inflação em contratos de commodities referenciados em dólar, o que eleva o preço do produto.

O acerto entre americanos e poloneses sobre a instalação de um escudo de defesa antimísseis dos EUA em território polonês alimenta as preocupações de que a Rússia possa interromper o fluxo de petróleo. Ontem, na assinatura do acordo, a secretária de Estado americano, Condoleezza Rice, citou a preocupação de Washington com as ambições nucleares do Irã como um dos motivos para o programa antimíssil.

A Rússia considera o escudo uma ameaça para a própria segurança do país. Na semana passada, um general russo disse que, ao aprovar o acordo, a Polônia estava abrindo suas portas para um potencial ataque nuclear russo.

O oleoduto Baku-Supsa, que transporta mais de 100 mil barris diários do Azerbaijão para a Geórgia pelo Mar Negro está parado, devido a preocupações com segurança tendo em vista a movimentação de tropas da Rússia e da Geórgia. O transporte do produto por terra também está afetado devido à interdição de uma ponte.

Outro oleoduto, o BTC, que passa pela região rumo à Turquia e transporta 1 milhão de barris diários, também está parado por conta de um incêndio, mas a expectativa é de que volte a operar ainda nesta semana.

(Valor Online, com agências internacionais)